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Menos de 2 anos após assumir o cargo, Primeiro-Ministro do Reino Unido anuncia renúncia em meio a nova crise política

Por Guilherme Kalel e Sofia Garcia

22/06/2026

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou oficialmente sua renúncia ao cargo e à liderança do Partido Trabalhista. O pronunciamento foi feito em frente à residência oficial de Downing Street, em Londres, após semanas de intensa pressão interna e de uma acentuada queda em sua popularidade. Starmer, que governava o país há menos de 2 anos, afirmou com a voz embargada que todas as suas decisões foram tomadas colocando o país em primeiro lugar. Enquanto ele discursava, manifestantes reunidos nas proximidades tocavam a Ode à Alegria, de Beethoven, hino oficial da União Europeia.

Apesar do anúncio, Starmer não deixará o posto imediatamente. Ele deve permanecer no cargo de primeiro-ministro até que a disputa interna para definir o novo líder do partido seja concluída. O processo de escolha começará em julho, e a previsão é de que o sucessor assuma o governo em setembro. Como o Partido Trabalhista mantém uma ampla maioria na Câmara dos Comuns, o novo líder escolhido pelos filiados se tornará automaticamente o próximo primeiro-ministro.

A crise que levou à queda de Starmer se intensificou após uma eleição parlamentar extraordinária realizada na semana passada, vencida por Andy Burnham, atual prefeito da Grande Manchester. Burnham é apontado como o principal favorito para assumir o comando da legenda e já declarou publicamente que o partido está diante de sua última chance de mudar de rumo. O resultado eleitoral foi visto por integrantes do Partido Trabalhista como um claro sinal de desgaste do governo atual.

Segundo informações de bastidores da imprensa britânica, a situação de Starmer havia se tornado insustentável após mais de cem deputados governistas defenderem abertamente sua saída. Além disso, ministros influentes do gabinete, como a chanceler Yvette Cooper e o ministro da Energia, Ed Miliband, também teriam pressionado o primeiro-ministro a renunciar. Desde o início de seu mandato, o governo de Starmer enfrentou forte turbulência, marcada por mudanças de posicionamento em temas centrais, disputas internas recorrentes e sucessivas demissões no primeiro escalão.

A saída do premiê também provocou reações imediatas da oposição e no cenário internacional. Nigel Farage, líder do partido de direita Reform UK, aproveitou o momento de fragilidade institucional para exigir a convocação de eleições gerais antecipadas no Reino Unido.

No plano internacional, o desfecho da crise já vinha sendo antecipado. No domingo anterior ao anúncio oficial, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em suas redes sociais que Starmer deixaria o cargo e desejou tudo de bom ao líder britânico. Após a oficialização da renúncia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prestou uma homenagem a Starmer nas redes sociais, elogiando sua postura como estadista e agradecendo pelo apoio fundamental dado à segurança da Europa e à Ucrânia durante seu período no poder.