21/06/2026
O Brasil alcançou um marco histórico na educação em 2025 ao registrar a menor taxa de analfabetismo desde o início da série histórica, em 2016. De acordo com dados do módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice caiu para 4,9% entre a população com 15 anos ou mais. É a primeira vez que o indicador fica abaixo dos 5%.
Em termos práticos, a redução aponta que o país teve 592 mil pessoas a menos na condição de analfabetismo em relação ao ano de 2024. Em números absolutos, o total de brasileiros com 15 anos ou mais que não sabem ler ou escrever um bilhete simples totalizou 8,4 milhões em 2025. Ao excluir o grupo de idosos e analisar a faixa etária de 15 a 59 anos, a taxa cai ainda mais, atingindo 2,6%. A série histórica da pesquisa foi reexaminada com base nos resultados do Censo Demográfico de 2022.
O analfabetismo recuou sensivelmente entre os cidadãos com 60 anos ou mais, passando de 16% em 2022 para 13,8% em 2025, o que também configura o menor nível para essa faixa desde 2016. Apesar da evolução, esse grupo de idade ainda concentra a maior parte do problema no país, representando mais da metade (58%) do total de analfabetos, o que equivale a 4,9 mil milhões de pessoas.
A pesquisa também apontou um comportamento inédito em relação ao gênero dos idosos: pela primeira vez, a taxa de analfabetismo das mulheres com 60 anos ou mais (13,7%) foi inferior à dos homens (14,1%). Na visão geral da população a partir de 15 anos, o público feminino manteve a dianteira em escolaridade, registrando 4,6% de analfabetismo contra 5,2% do público masculino. De acordo com analistas do IBGE, os dados mostram avanços na escolarização das mulheres através de várias gerações, sinalizando a reversão de desigualdades históricas.
Embora os índices gerais sejam positivos, os recortes geográficos e raciais revelam disparidades acentuadas. O Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos do país, totalizando 4,8 milhões de pessoas e apresentando a maior taxa regional, com 10,6%. A região Norte aparece em seguida com 5,7%, enquanto Centro-Oeste (3,3%), Sul (2,4%) e Sudeste (2,3%) registram os menores percentuais.
A diferença também se manifesta de forma evidente na cor ou raça declarada pelos entrevistados. Na população de 15 anos ou mais, o analfabetismo entre pretos ou pardos foi de 6,5%, mais que o dobro dos 2,8% verificados entre brancos. Na faixa dos idosos (60 anos ou mais), essa lacuna se aprofunda ainda mais: a taxa de analfabetismo chega a 20,6% para pretos ou pardos, o que significa um número quase três vezes superior ao de brancos, que ficou em 7,3%.
Apesar dos desafios persistentes na alfabetização, o levantamento indicou progressos no nível de instrução geral. Pela primeira vez, mais da metade (51,3%) da população de pretos e pardos com 25 anos ou mais completou o ensino médio. Embora a diferença em relação à população branca (64,9%) ainda seja significativa (13,6 pontos percentuais), houve uma redução em comparação com o ano de 2016, quando a distância era de 16,4 pontos percentuais.
Considerando todos os brasileiros com 25 anos ou mais, a parcela que concluiu a educação básica obrigatória avançou para 57,4% em 2025. O destaque ficou por conta do grupo de pessoas que possui exatamente o ensino médio completo como nível máximo de instrução, que subiu de 27,1% em 2016 para 31,8% em 2025.
A PNAD Contínua investiga anualmente indicadores estruturais de educação, como analfabetismo, nível de instrução, média de anos de estudo e taxas de escolarização. Vale ressaltar que, devido à mudança metodológica de coleta provocada pela pandemia de Covid-19, quando as entrevistas passaram a ocorrer unicamente por telefone entre 2020 e 2021, o aproveitamento das amostras nesses anos foi afetado. Por esse motivo, o histórico oficial de comparação desconsidera o período de 2020 e 2021, abrangendo os intervalos de 2016 a 2019 e de 2022 a 2025.
