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Governo de São Paulo anuncia investimentos de R$ 400 milhões em programa contra queimadas

Por Sofia Garcia

11/06/2026

O Governo do Estado de São Paulo deu início à fase vermelha da Operação SP Sem Fogo, período considerado o mais crítico do ano para o risco de incêndios florestais devido à estiagem. A ação foi oficializada pelo governador Tarcísio de Freitas e conta com um aporte financeiro histórico de quase R$ 400 milhões, voltado para a prevenção, monitoramento e combate às queimadas entre os meses de junho e outubro.

A iniciativa reúne os esforços de diversos órgãos públicos, como a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar Ambiental, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a Fundação Florestal, a Cetesb, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) e a Secretaria de Agricultura. O objetivo da força-tarefa é minimizar os impactos do clima seco e das mudanças climáticas, fatores agravados pelo fenômeno El Niño.

Uma das grandes novidades apresentadas para o ciclo da operação é o Painel de Inteligência SP Sem Fogo, desenvolvido pela Defesa Civil. Essa ferramenta cruza mapas de risco, dados meteorológicos e registros de incidentes em tempo real. Com o auxílio de inteligência artificial, o sistema prioriza o envio de recursos para as ocorrências de maior gravidade.
O estado também conta com a Muralha do Fogo, tecnologia que conecta imagens de câmeras do DER, de concessionárias de rodovias e do sistema de segurança Muralha Paulista para acompanhar a propagação de fumaça. Somado a isso, o Sistema de Monitoramento e Alerta Climático (SMAC), por meio de imagens de satélite, identifica focos de calor logo em seu estágio inicial. O governo estadual ainda firmou uma parceria inédita com o aplicativo de navegação Waze, permitindo que motoristas informem diretamente na plataforma quando avistarem focos de fumaça ou fogo nas margens das rodovias, gerando alertas instantâneos para o centro de controle.

Para otimizar o atendimento de ponta, o governo paulista repassou R$ 90,4 milhões para equipar e estruturar as administrações municipais. Os investimentos garantiram a aquisição de 100 caminhões-pipa, 22 veículos utilitários com tração nas quatro rodas e centenas de kits com abafadores manuais. O orçamento também custeia horas de voo para o acionamento de aeronaves em locais de difícil acesso, sob a coordenação técnica do Corpo de Bombeiros.

Na parte de capacitação humana, mais de 3 mil agentes locais receberam treinamento especializado, e o plano de contingência para o período de seca já foi adotado por 613 cidades de São Paulo. Pela primeira vez, produtores rurais residentes em assentamentos foram integrados aos treinamentos oficiais, instituindo núcleos comunitários capazes de realizar o combate primário e preventivo nas áreas rurais mais isoladas.

A proteção das unidades de conservação estaduais recebeu uma verba dedicada de R$ 19,3 milhões repassados à Fundação Florestal. O montante permite a contratação temporária de 243 brigadistas, ações de manutenção de aceiros (barreiras sem vegetação que interrompem o avanço do fogo) e o monitoramento estratégico com o uso de drones termais de longo alcance, ideais para identificar focos de calor durante a noite. Além disso, a queima pós-incêndio é avaliada para estimar o impacto ambiental e subsidiar a identificação de infrações legais.
Por fim, o DER-SP assumiu um cronograma intensivo de limpeza de vegetação rasteira nas faixas de domínio das rodovias estaduais, com um recurso de R$ 288,9 milhões. A remoção do mato seco nas margens das pistas previne que bitucas de cigarro ou fagulhas deem início a grandes incêndios, melhorando a visibilidade dos condutores e garantindo maior trafegabilidade e segurança nas rodovias paulistas.

*Sob supervisão de Mariana Dias