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Aplicativos chineses promovem guerra ao iFood no mercado de delivery

Por Nathalia Shermann

11/06/2026

O mercado de entrega de comida no Brasil, historicamente dominado de forma quase absoluta pelo iFood, está se transformando no palco de uma intensa disputa global. Grandes plataformas chinesas de tecnologia decidiram investir bilhões de reais no país, desafiando a liderança consolidada da empresa controlada pela investidora holandesa Prosus e iniciando o que especialistas já chamam de uma nova guerra do delivery.

Os principais protagonistas dessa ofensiva asiática são a 99Food, braço de entrega da Didi Global, e a Keeta, plataforma operada pela gigante Meituan. O Brasil representa uma porta de entrada estratégica e altamente tentadora para essas marcas na América Latina. O consumidor brasileiro demonstra uma forte abertura para a tecnologia, com o comércio eletrônico correspondendo a mais de 20% do varejo nacional, uma taxa bem acima da média registrada no restante da região.

Para tentar romper o monopólio e conquistar espaço, as empresas chinesas têm apostado em estratégias agressivas que incluem forte apelo tecnológico, expansão rápida e, principalmente, pesados subsídios na forma de cupons de desconto. Essa tática visa atrair uma base inicial de usuários e parceiros, gerando uma disputa acirrada por clientes, restaurantes e entregadores.

No entanto, essa competição bilionária fora de seu mercado de origem também traz custos altos. A forte injeção de capital em promoções e expansão internacional tem pressionado as finanças dessas companhias, levando algumas de suas controladoras globais de volta aos prejuízos trimestrais na tentativa de defender e conquistar territórios.
Além do aspecto financeiro, a chegada das rivais intensificou os conflitos no campo jurídico e regulatório. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, abriu investigações para apurar possíveis abusos de posição dominante e restrições contratuais entre as plataformas. Enquanto a Keeta acusa a 99Food de criar barreiras para que restaurantes utilizem aplicativos concorrentes, o iFood também segue sob monitoramento do órgão regulador quanto ao cumprimento de acordos que limitam seus contratos de exclusividade. Processos por concorrência desleal e acusações de espionagem empresarial também já fazem parte dos bastidores dessa disputa.

O desfecho dessa batalha bilionária redefinirá o setor de conveniência digital no país. Se por um lado os pesados investimentos das gigantes chinesas testam os limites financeiros de suas próprias operações, por outro, a quebra de exclusividades e o aumento da concorrência abrem novas opções e barateiam custos para o bolso do consumidor brasileiro e para os estabelecimentos parceiros.