Por Guilherme Kalel: Jornalista e Editor
28/05/2026
A Petrobras comunicou nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, que implementará um ajuste nos preços de venda da gasolina A para as distribuidoras. A mudança passa a valer a partir desta sexta-feira, dia 29 de maio. O aumento bruto anunciado pela companhia é de 48 centavos por litro. No entanto, o impacto real para a cadeia de combustíveis e para os motoristas será minimizado devido a um programa de subvenção econômica do governo federal.
Com as novas regras regulamentadas recentemente pela Medida Provisória número 1.358 e decretos do Ministério da Fazenda, a estatal aplicará um desconto de 44 centavos por litro no âmbito desse auxílio financeiro federal. Essa subvenção considera os tributos federais incidentes sobre os combustíveis, como PIS, Cofins e CIDE, aliviando o reajuste decorrente da valorização internacional do petróleo.
Dessa forma, o preço médio da gasolina A comercializada pela Petrobras para as distribuidoras terá uma elevação residual de apenas 4 centavos, passando de R$2,57 para R$2,61 por litro.
Para os motoristas que abastecem nos postos de combustíveis, o reflexo do aumento deve ser ainda menor. Como a gasolina comercializada nas bombas é a do tipo C, composta por uma mistura obrigatória de 70% de gasolina pura e 30% de etanol anidro, a fatia financeira que cabe à Petrobras no preço final subirá de R$ 1,80 para R$ 1,83.
Na prática, isso significa um aumento máximo estimado de 3 centavos por litro da gasolina final para o consumidor. A empresa destaca que, mesmo com essa atualização, o preço atual da gasolina nas refinarias permanece 27,6% abaixo do valor que era praticado no final de dezembro de 2022.
A repassagem integral ou parcial desse acréscimo de 3 centavos dependerá exclusivamente de cada posto de combustível, considerando as margens de lucro dos revendedores, custos locais de logística e a concorrência em cada região.
O movimento da Petrobras ocorre em um momento de forte pressão no mercado global de energia. Desde o fim de fevereiro, o preço do barril de petróleo do tipo Brent, usado como referência mundial, registrou uma expressiva escalada e se aproximou da marca de 99 dólares, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e bloqueios em rotas estratégicas de transporte marítimo.
Em nota oficial, a petroleira reafirmou o compromisso com a previsibilidade e a transparência de sua governança interna, ressaltando que sua estratégia comercial atual busca evitar o repasse automático da volatilidade diária dos preços internacionais para o mercado brasileiro. A adoção da subvenção governamental foi apontada pela empresa como uma alternativa viável e compatível com seus interesses financeiros e sociais.
