06/02/2026
Na quinta-feira, 5 de fevereiro, a Agência Visionpress realizou o evento Visiontalks, onde debateu a Educação Inclusiva para deficientes visuais, com especialistas da área.
Um dos destaques levantado no dia, se refere a educação do estado de São Paulo, o maior do país em termos de território, habitantes e consequentemente de pessoas com deficiência.
Onde a educação deveria ser exemplo, ela falha.
Desde 2021, o governo estadual distribui para alguns deficientes tablets que deveriam ser usados na educação inclusiva digital.
Deveriam, porque os equipamentos de fato não são acessíveis a esse público de pessoas.
Os tablets são da marca Positivo, que venceu uma concorrência para apresentar os materiais.
Mas com processadores lentos, sem agilidade e fluidez, os dispositivos travam na hora de oferecer tarefas simples no dia a dia.
Muitos desses deficientes visuais que receberam o equipamento, se quer conseguem liga-lo e usar o leitor de telas nativo do Android, dada a inacessibilidade do produto, destaca Marcelo Oliveira, Professor de Conteúdo Digital para deficientes visuais.
Nos últimos 3 anos, a Secretaria Estadual de Educação ampliou o número de tablets entregues, porém, sem a acessibilidade esses equipamentos são apenas estatisticas.
Os níveis do aprendizado continuam ruins, com despreparo de professores para receber esses alunos.
E a culpa não é dos docentes, como destaca Ana Maria Araújo, Professora de Educação Inclusiva e Consultora em Acessibilidade.
“O governo não investe de forma adequada na educação especial.
Enquanto no nível federal, o Mec quer acabar com escolas especiais, em nível de estado temos professores no ensino regular que não sabem como ensinar esses alunos que chegam, e não tem o apoio necessário para isso”, afirma.
Outro ponto a se destacar, é a falta de professores de apoio dentro da sala para alunos com deficiência.
No estado, um professor pode cuidar de até 4 crianças ou adolescentes, dentro de uma mesma sala.
Cada um tem suas diferentes necessidades e meios de aprendizado, o que dificulta o andamento dos trabalhos.
Falta o apoio necessário e muitos estudantes se quer conseguem esses professores.
O número é insuficiente em todos o estado para atender a demanda, e piora com o fechamento em massa de salas de recursos especiais. Conta Ana Maria.
