Notícias

Direitos violados: Serviços de assistência social deixam a desejar na atenção a pessoas com deficiência visual no Brasil

Por Guilherme Kalel e Isabella Kardin

01/03/2026

Não é de hoje que se assiste diversas propagandas na maioria das vezes promovidas pelo governo federal com recursos públicos, para exaltar os serviços de assistência social prestados pelo Ministério dos Direitos Humanos do país.
Na teoria tudo funciona muito bem obrigado, e todas as pessoas que necessitam conseguem um atendimento ágil e eficaz.
Pessoas que sofrem algum tipo de situação de violência, seja ela qual for, podem procurar um Centro de Referencia a Assistência Social em seu Município, onde existe uma interligação dos órgãos Municipal e Federal, para uma ampla rede de apoio a quem mais precisa.
Quem precisar ainda, pode fazer denúncias através dos diversos números disponibilizados para que as pessoas em situação de vulnerabilidade social sejam atendidas.

Como quase tudo no Brasil esta é contudo, mais uma fraude. Um estelionato cometido pelo governo federal com conivência de governos municipais, para que isso renda o que importa a classe política, votos.
A verdade infelizmente é outra, nua e crua.
Os serviços de assistência social e o Conselho Tutelar, são uma fraude!

Claro que existem situações, em que essas linhas de atuação podem funcionar, mas em muitos casos não, e isso que prevalece nessa reportagem.
Ainda mais quando se fala em pessoas com deficiência visual. Invisíveis para a sociedade, para o governo e principalmente para os serviços sociais, este público de pessoas segue vulnerável e abandonado a própria sorte no país.

Vanessa era uma deficiente visual de 15 anos de idade, quando procurou a assistência social pela primeira vez no município onde morava no Paraná, para denunciar que estava sofrendo abusos sexuais por parte do padrasto.
Na época, a mãe disse que a filha tinha problemas mentais, estava fantasiando, e o companheiro jamais havia tocado na jovem.
A assistência social não levou o caso para frente, nem uma prova foi coletada e a palavra da mãe de Vanessa foi suficiente para convencer de que a menina estava mentindo.
Semanas mais tarde, a família de Vanessa se mudou de cidade. 5 anos depois, Vanessa ficou grávida, dos estupros cometidos pelo padrasto que não pararam, e que poderiam ter sido encerrados.
Hoje, Vanessa conseguiu sair do convívio da família, mas graças a atuação da Agência Visionpress e de parceiros, e em nem um momento com o apoio de serviços de referencia em assistência social ou com apoio de qualquer autoridade ligada aos Direitos Humanos, que no Brasil diga-se de passagem, defende apenas os direitos dos manos.

Alberto, 54 anos de idade, viveu por 30 anos isolado do mundo, trancado em casa pela família, desde que perdeu a visão.
Os pais alegavam que era perigoso sem enxergar ele sair para o mundo, e ele teve que trancar a faculdade e seus sonhos.
Não pôde se relacionar ou constituir família, e depois da morte dos pais, foi cuidado por um dos irmãos.
Alberto procurou o serviço de assistência social, onde morava em Minas Gerais, para tentar conseguir ter o controle de sua vida de volta.
Contou o seu caso, mas a assistente social que lhe atendeu, achou por bem ignorar seus pedidos.
Ela classificou a situação como um conflito familiar, onde o serviço social não poderia atuar, e que ele tinha que resolver a situação com o irmão.
6 meses depois, Alberto cometeu suicídio, porque não suportou mais viver daquele jeito.
Sua historia foi contada a Agência Visionpress, por um primo, que acompanhou o caso e a inércia das autoridades de direitos humanos.
Alice, nome fictício, é deficiente visual e mora no estado de Santa Catarina. Seu nome verdadeiro será preservado, porque Alice ainda está em situação de vulnerabilidade.
Sua historia chegou ao conhecimento da Agência Visionpress, por intermédio de uma amiga de Alice. A equipe entrou em contato com ela para saber mais detalhes.
A jovem, sofre constantes agressões físicas e psicológicas por parte da mãe, com quem mora, e quer deixar a casa da família para ter sua própria vida.
Ela já é maior de idade, mas a mãe não a permite viver.
A superproteção, e as agressões, levam a jovem a um estado de exaustão psicológica extrema, o que pode ser percebido em apenas 10 minutos de conversa com ela.
Há algumas semanas, Alice pegou um Uber e foi para uma cidade vizinha, na casa de uma amiga, estava disposta de lá, buscar refúgio na casa de outra amiga em outro estado.
Mas precisava de um lugar para ficar, até se organizar para a viagem.
Ela não poderia pernoitar na amiga e por isso, foi levada a procurar o serviço de assistência social.
Inicialmente dito que procurariam uma casa de acolhimento para ela, a informação mais tarde foi alterada.
A assistência social disse que não poderia a atender, já que ela morava em outro municipio, e a entregaram para a entidade de deficientes visuais da cidade, que por sua vez, decidiu que o melhor lugar para si, era junto de sua família.
Ainda que Alice tenha relatado os conflitos e agressões, Alice foi devollvvida ao lar.
Importante salientar que anos antes, ela já havia relatado as dennúncias de agressão ao Conselho Tuttelar, que nada fez em seu favor.
Alice está em poder de sua família, agora ainda mais controlada, incluindo o uso de um GPS, para monitorar cada passo seu, e impedir que tente escapar de novo.

Assim como essas historias tratadas na reportagem, existem dezenas de milhares de deficientes visuais, abandonados a própria sorte no Brasil.
Essas pessoas estão invisíveis, sem voz, e sofrendo caladas com um sistema criado para ajudar na teoria, mas que na prática, ajuda a ampliar seu sofrimento e seus conflitos.
Se a assistência social não é capaz de enfrentar famílias, para garantir o direito dessas pessoas, a pergunta que se fica é, quem seria?

Muitas dessas denúncias não chegam ao Ministério Público, porque param nos serviços referenciais, que deveriam levar adiante, para dar prosseguimento a processos.
Só assim, o Brasil poderia fazer de fato justiça.

De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão, 13146, promulgada em 2015 pela então Presidente Dilma Rousseff, as pessoas com deficiência tem direito de viver sua própria vida.
São livres ao completar maior idade e podem, sair de casa, constituir família ou viver sozinhas, onde desejar.
Essa tarefa não é fácil, em partes pela superproteção depositadas por intermédio da família, e mais, pela inércia de serviços sociais quando acionados, e que poderiam ajudar nos casos.

A Agência Visionpress continuará atenta aos casos, acompanhando seus desdobramentos e denunciando, até que as vozes hoje em silencio, possam ser ouvidas.
O trabalho não é fácil, mas é executado sem medo da verdade, e defendendo e ouvindo quem tanto só quer sua liberdade, e seu direito de viver.

Foto / Reprodução - Imagem mostra representação de uma pessoa com deficiência visual sentada em um banco em uma praça, com uma bengala dobrável e um cão guia, e um semblante pensativo