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Brasil faz acordo com a Índia e compra tecnologia para produzir remédios no SUS

Por Mariana Dias

22/02/2026

O Brasil assinou no último sábado, 21 de fevereiro, um acordo de cooperação técnica com a Índia, para receber tecnologia e produzir medicamentos no SUS (Sistema Único de Saúde).
Esses medicamentos produzidos serão destinados ao tratamento de pacientes com câncer, vacinas e imunossupressores.

No caso de tratamentos oncológicos, serão produzidos 3 diferentes tipos de medicamentos imunobiológicos para imunoterapia no SUS.
Esses medicamentos serão produzidos através de uma parceria entre a farmacêutica Biocon e a Fiocruz.
Outros dois laboratórios indianos também farão parte do acordo.

O investimento total será de R$ 700 milhões, para que o Brasil tenha acesso a tecnologia da medicação indiana e possa produzir os remédios em laboratórios brasileiros.

Além desse marco no tratamento para a oncologia, segundo o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os países também assinaram um acordo para produzir vacinas.
As vacinas serão produzidas em parcerias da Fiocruz, Bahiafarma e de laboratórios indianos.
As vacinas produzidas são contra tuberculose, malária, hanseníase, e esquisotomose.

Outro investimento feito pelo país será na transferência de tecnologia para a fabricação de insumos para a produção de medicamentos imunossupressores, usados por pessoas com doenças raras e por transplantados.
O Ministério ainda não informou, quais seriam as medicações produzidas para esses casos, nem quais patologias seriam atendidas.

O Brasil estima uma economia de R$ 10 bilhões nos próximos 10 anos, após a fabricação dos medicamentos no Brasil e a sua distribuição pela rede pública.
Até então, essas medicações eram compradas pelo governo federal de grandes laboratórios internacionais, e distribuídas aos pacientes conforme necessidade.
Isso segundo o ministro da Saúde, sujeitava o Brasil a ter que pagar altos valores pelos remédios, e depender de compras internacionais para muitas dessas medicações.

Esse não é o único acordo que os países assumem na área da saúde, desde que Lula voltou a presidência do Brasil em 2023.
No ano passado o Brasil comprou tecnologia indiana para produzir insulinas para atender a demanda do SUS para medicamentos a diabéticos.
A iniciativa foi necessária, depois que a Novo Nordisk, maior fabricante do mundo deixou de fornecer o medicamento para o governo brasileiro.

Com a produção das insulinas nacionais, o Brasil voltou a ser produtor do material depois de mais de 20 anos, sem produzir o remédio em laboratórios públicos, e busca a autossuficiencia para tratamento da patologia.

Não é apenas com o Diabetes que o Brasil busca ser autossuficiente, pelo que tem demonstrado as ações de governo.
O Ministério da Saúde tem buscado parcerias com outros países, para comprar insumos e tecnologia que permitam a rede pública produzir os próprios medicamentos.
Há casos em que, essas medicações são produzidas em parcerias com laboratórios estaduais, como o Bahiafarma, ou ainda com privados, como a Biomm, voltada especificamente a atender mercados específicos e ao governo.

Além de colocar o Brasil como referencia na produção e distribuição de medicamentos a população, a fabricação própria ampliará a oferta de empregos aos brasileiros, pontua Alexandre Padilha.