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Planos de saúde coletivos tem reajuste de 9,9%: Número é mais que o dobro da inflação no período, mas representa o menor índice dos últimos 5 anos

Por Mariana Dias

10/05/2026

Os beneficiários de planos de saúde coletivos no Brasil enfrentam um cenário de custos crescentes neste início de ano. De acordo com dados recentes divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o reajuste anual médio para essa modalidade de contrato atingiu 9,9% nos dois primeiros meses de 2026. O índice chama a atenção por representar mais do que o dobro da inflação oficial do país, medida pelo IPCA, que acumulou 3,81% no período de 12 meses até fevereiro.

Diferente dos planos individuais, cujos aumentos são limitados por um teto definido pela ANS, os planos coletivos — contratados por empresas, sindicatos ou associações — possuem reajustes definidos por meio de livre negociação entre as operadoras e as entidades contratantes. Atualmente, esse modelo domina o mercado nacional: de cada 100 usuários de planos de saúde no Brasil, 84 estão vinculados a contratos coletivos.

Embora o índice de 9,9% seja considerado elevado frente ao custo de vida atual, ele é tecnicamente o menor reajuste médio registrado nos últimos cinco anos. A última vez que o setor apresentou uma variação inferior foi em 2021, com 6,43%. Naquela ocasião, o aumento foi contido devido aos efeitos da pandemia, que gerou uma redução drástica na realização de consultas, exames e cirurgias eletivas, aliviando os custos operacionais das operadoras de saúde.

O setor de saúde suplementar demonstra vigor em termos de adesão e lucratividade. Até março de 2026, o Brasil contabilizava 53 milhões de vínculos ativos, o que representa um crescimento de 906 mil novos contratos em comparação ao ano anterior.
O desempenho financeiro das empresas do setor também atingiu marcas históricas. Em 2025, as operadoras registraram uma receita total de R$ 391,6 bilhões. O lucro líquido acumulado chegou a R$ 24,4 bilhões, o maior valor já documentado na história do segmento. Em termos proporcionais, para cada R$ 100 recebidos pelas operadoras, o lucro líquido foi de aproximadamente R$ 6,20.

O cenário reforça o debate sobre o equilíbrio financeiro do setor e o impacto desses reajustes no orçamento das empresas e dos trabalhadores, que são a base de sustentação da maior parte do sistema privado de saúde no país.