Por Mariana Dias
10/05/2026
Neste dia das mães, a Agência Visionpress trás ao conhecimento público mais uma das muitas historias de lutas dessas mulheres guerreiras, em nome de seus filhos e filhas.
A angústia e a incerteza tomaram conta da rotina de Maria Laura, de 25 anos. Moradora de uma casa alugada de apenas 3 cômodos em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, ela trava uma batalha diária pela vida de sua filha, Maria Clara, que completou 3 anos no último dia 10 de abril. A pequena aguarda há pelo menos 2 meses a realização de um exame cardíaco crucial, cujo resultado determinará se a criança precisará passar por uma cirurgia no coração.
O drama familiar começou quando Maria Clara passou a apresentar quadros graves de mal-estar e desmaios. Após o diagnóstico inicial de um problema cardíaco, a urgência para o exame complementar tornou-se uma questão de sobrevivência. No entanto, o que a mãe encontrou na rede pública foi o silêncio e a espera. Enquanto o agendamento não ocorre, as crises da menina têm se intensificado, tornando as idas ao hospital cada vez mais frequentes.
Para Maria Laura, a batalha não se restringe apenas aos corredores dos hospitais. Mãe solteira, ela enfrenta o abandono do pai da criança, que desapareceu assim que soube da gravidez. Sem rede de apoio familiar ou financeira, a condição de saúde da filha impõe barreiras severas ao sustento da casa. Maria Laura não consegue manter um emprego fixo; o relato da jovem é desolador, já que sempre que consegue uma oportunidade de trabalho, acaba dispensada em pouco tempo, pois precisa faltar para prestar socorro à filha durante as crises cardíacas.
A precariedade financeira e a dedicação integral aos cuidados de Maria Clara formam um ciclo de dificuldades que se agrava com a omissão do poder público. Maria Laura já procurou a Secretaria de Saúde diversas vezes, mas recebe sempre a mesma resposta: é preciso aguardar na fila.
De acordo com informações levantadas pela Agência Visionpress, a fila para exames cardíacos na região registrou um aumento expressivo nos últimos 6 meses, batendo recordes de tempo de espera. O motivo principal para a paralisia no atendimento é técnico, um dos aparelhos necessários para realizar o procedimento está quebrado.
Enquanto o conserto não é realizado, adultos e crianças seguem desamparados. No caso de Maria Clara, a demora é potencialmente fatal. Por se tratar de uma criança de apenas 3 anos em pleno desenvolvimento, a realização do exame é o único caminho para definir os próximos passos do tratamento. Sem essa definição, o risco de morte é uma sombra constante sobre a pequena casa de três cômodos em Osasco.
Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria de Saúde mantinha o posicionamento de que existem outras pessoas na frente de Maria Clara na fila de espera, ignorando os apelos desesperados de uma mãe que vê a vida da filha escorrer por entre os dedos.
