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Controladora da 99 no Brasil registra prejuízos com chegada de concorrente direta no país

Por Nathalia Shermann

03/06/2026

A gigante chinesa de transportes por aplicativo Didi Global, que controla a marca 99 no Brasil, registrou o seu segundo prejuízo trimestral consecutivo. O saldo negativo foi de 177 milhões de dólares, impulsionado pelo aumento significativo nos investimentos voltados para a expansão global e pelo esforço financeiro para proteger o seu mercado no território brasileiro. O cenário de instabilidade ocorre no momento em que a empresa enfrenta a concorrência agressiva da também chinesa Meituan, que ingressou no país com a sua marca de entregas Keeta.

A chegada da Keeta ao mercado brasileiro deu início a uma acirrada batalha comercial entre as duas potências de tecnologia da China, que agora replicam a rivalidade de seus países de origem na América Latina. Para blindar suas operações locais e manter a liderança da 99, a Didi precisou injetar recursos substanciais em subsídios para motoristas e estratégias de retenção de clientes. Analistas de mercado apontam que os custos elevados associados ao fortalecimento da operação brasileira de delivery e transporte pesaram diretamente sobre a rentabilidade global da companhia.

Instituições financeiras internacionais, como o banco australiano Macquarie, revisaram suas projeções para as ações da Didi em decorrência do impacto financeiro dessa disputa no Brasil. A classificação do ativo foi rebaixada e o preço-alvo sofreu uma redução considerável. A justificativa dos analistas indica que, embora o volume de transações globais continue crescendo, a necessidade de manter o ritmo de gastos defensivos no mercado brasileiro compromete as margens de lucro no curto prazo.

No front judicial brasileiro, a disputa entre as marcas também ganhou contornos formais, com registros de batalhas em instâncias jurídicas por alegações de concorrência desleal e campanhas promocionais agressivas. A tensão entre os aplicativos reflete a importância estratégica do Brasil para os planos de internacionalização de ambas as plataformas de internet.

Em relação à sua estrutura corporativa global, a Didi operava em mercado de balcão após ter retirado suas ações da bolsa principal de Nova York no ano de 2022. Informações de mercado sinalizam que a administração da empresa cogita realizar uma nova oferta pública inicial de ações na bolsa de Hong Kong, embora nenhum cronograma oficial para o processo de listagem tenha sido anunciado até o momento.