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O Glaucoma Congênito e como identificar e tratar a patologia

Por Mariana Dias

16/06/2026

O glaucoma congênito é uma condição ocular rara, mas grave, que afeta bebês e crianças pequenas, geralmente nos primeiros anos de vida. Trata-se de uma doença caracterizada pelo aumento da pressão interna do olho, o que pode causar danos progressivos e irreversíveis ao nervo óptico, a estrutura responsável por levar as imagens da retina para o cérebro. Se não for diagnosticado e tratado a tempo, o glaucoma congênito pode levar à perda significativa da visão ou até mesmo à cegueira. Por isso, o conhecimento dos pais e cuidadores sobre os sinais de alerta é fundamental.

A principal causa do glaucoma congênito é uma malformação no sistema de drenagem do olho do bebê, que ocorre ainda durante o desenvolvimento fetal. Em um olho saudável, existe a produção constante de um líquido chamado humor aquoso, que circula e é drenado na mesma proporção. No bebê com glaucoma congênito, esse canal de drenagem é obstruído ou não se desenvolve corretamente. Como o líquido não consegue sair, ele se acumula, elevando a pressão intraocular e empurrando as estruturas sensíveis do olho.

Identificar o glaucoma congênito em bebês pode ser desafiador, já que eles não conseguem expressar o que estão sentindo. No entanto, o corpo do bebê costuma dar sinais físicos bastante visíveis que diferenciam essa condição de outras irritações oculares comuns.

O primeiro sinal clássico é a fotofobia intensa, que é a sensibilidade exagerada à luz. O bebê chora, fecha os olhos firmemente ou esconde o rosto mesmo em ambientes com iluminação natural ou artificial moderada. O segundo sinal frequente é o lacrimejamento constante, muitas vezes acompanhado pelo hábito do bebê de esfregar os olhos com frequência devido ao desconforto. Outro sinal muito característico é o blefaroespasmo, que são piscadas frequentes, involuntárias e prolongadas.

Além desses comportamentos, existem alterações físicas visíveis nos olhos da criança. Devido à pressão alta, os olhos de um bebê, que ainda são elásticos, tendem a esticar e aumentar de tamanho. Isso faz com que os olhos pareçam desproporcionalmente grandes, uma condição conhecida clinicamente como buftalmia. Por fim, a córnea, que é a parte transparente da frente do olho, pode perder o seu brilho natural e apresentar uma aparência azulada, opaca ou esbranquiçada, como se estivesse nublada.

O diagnóstico definitivo do glaucoma congênito é feito por um médico oftalmologista, de preferência especialista em oftalmopediatria. O exame inicial pode ser feito no consultório, mas em bebês muito pequenos muitas vezes é necessário realizar uma avaliação detalhada sob sedação leve para medir a pressão exata do olho, avaliar o tamanho do globo ocular e examinar o estado do nervo óptico.

O tratamento do glaucoma congênito é quase sempre cirúrgico. Diferente do glaucoma que afeta os adultos, onde os colírios costumam ser a primeira opção de longo prazo, nas crianças os colírios servem apenas como uma medida temporária para controlar a pressão até o dia da operação. A cirurgia visa abrir ou criar um novo canal de drenagem para que o líquido possa fluir normalmente.

Após a cirurgia, a criança precisará de um acompanhamento médico rigoroso por toda a vida para monitorar a pressão ocular e garantir que o desenvolvimento visual ocorra da melhor forma possível, muitas vezes necessitando do uso de óculos ou tratamentos para o olho preguiçoso. A conscientização da família sobre os sintomas e a agilidade em buscar ajuda médica continuam sendo as melhores ferramentas para proteger a visão das crianças afetadas por essa condição.