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Deficiente visual perde bebê após mais de 15 horas a espera de um parto

12/06/2026

Recentemente, a Agência Visionpress publicou a história de uma mulher que perdeu a filha ao nascer, após 15 horas de espera por um parto em Porto Alegre (RS). Na semana passada, outra denúncia chegou ao portal, relatando que uma gestante de gêmeos enfrentou a mesma batalha de horas à espera de uma cesariana.

Agora, mais uma mulher foi vítima de um sistema que tende a priorizar protocolos em detrimento do bem-estar da mãe e da segurança do bebê.

Mirella Alves, de 34 anos e que possui deficiência visual, esperou por 9 meses o nascimento do filho Enzo. Mas ela não pôde segurá-lo nos braços como gostaria, nem tocar o seu rostinho, porque a criança nasceu morta. Depois de procurar o hospital por 6 vezes com dores e contrações, e ser enviada de volta para casa sob a justificativa de não ter dilatação suficiente, a gestante foi finalmente internada para um parto induzido. O que deveria ser a realização de um sonho transformou-se no mais cruel dos pesadelos.

O menino nasceu sem vida por ter esperado tempo demais para o parto. A mãe ficou 15 horas em trabalho de parto na tentativa de um procedimento normal, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde.
A pasta determina que hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) priorizem o parto normal, reservando a cesariana para situações de real necessidade clínica. Embora a recomendação vise reduzir o alto índice de cesáreas desnecessárias no país — historicamente associado a riscos de morbidade materna e neonatal —, críticos apontam que a rigidez na aplicação dessas regras pode retirar a autonomia da gestante e retardar intervenções de urgência. De acordo com os protocolos vigentes, a gestação pode ser acompanhada até a 42ª semana, desde que haja monitoramento rigoroso das condições de saúde da mãe e do feto. Há relatos, inclusive, de unidades hospitalares que adotam mecanismos de incentivo financeiro para equipes médicas que atingem metas de partos assistidos por via vaginal.

Por causa da inflexibilidade na aplicação desse protocolo, Mirella perdeu seu filho. O caso acende o alerta para o risco enfrentado por tantas outras famílias no país.

A reportagem procurou o Ministério da Saúde e o hospital onde o atendimento e o óbito do bebê ocorreram. Até a publicação desta matéria, não houve manifestação oficial de nenhuma das partes.

Mirella Alves ficou profundamente abalada com a perda. Seu namorado, Daniel, procurou a Agência Visionpress para denunciar o ocorrido. O casal agora busca por justiça e confirmou que processará o hospital e a equipe médica responsável pelo atendimento.

Especialistas defendem que, independentemente de qualquer protocolo geral, cada caso deve ser tratado de forma individualizada, respeitando as condições clínicas específicas de cada gestante. Além disso, uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) garante à gestante o direito de optar pela cesariana a pedido a partir da 39ª semana de gestação, após ser amplamente informada sobre os riscos e benefícios de cada via de parto. O papel do médico deve ser o de orientar com clareza e base científica, sem exercer pressão na tomada de decisão da mulher.