Por Nathalia Shermann
31/05/2026
A tecnologia desenvolvida pelo Serviço Federal de Processamento de Dados, o Serpro, garantiu um novo recorde histórico no encerramento do prazo de entrega das declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física de 2026. O sistema registrou a marca expressiva de mais de 44 milhões de envios realizados pelos contribuintes do país. O balanço final do ano também trouxe novidades regulatórias e de mercado, como mecanismos voltados à antecipação de restituições e a implementação de cashback voltado para pessoas que não tinham a obrigação legal de declarar, mas optaram por enviar os dados ao Fisco.
Por trás do volume recorde e da estabilidade demonstrada pelo sistema nos momentos de maior pressão, há um robusto investimento em infraestrutura digital de alta performance. O processamento das informações é centralizado em mainframes, que são computadores de grande porte desenhados especificamente para processar volumes massivos de transações em tempo simultâneo sem risco de interrupção ou necessidade de reinicialização.
Para o período do Imposto de Renda de 2026, o Serpro expandiu significativamente o potencial técnico dessas máquinas. A capacidade medida em MIPS, que calcula as milhões de instruções processadas a cada segundo, deu um salto notável de 29.356 em maio de 2025 para 40.267 em 2026, indicando um incremento de 37% na força operacional em um intervalo de 12 meses.
Como estratégia complementar de contingência para as horas finais do prazo, quando o estresse na rede atinge o patamar máximo, o Serpro utilizou uma sistemática contratual inédita que tornou possível o acionamento de processadores extras por turnos de 24 horas. Essa mobilização foi direcionada para atender ao último dia de entregas, momento histórico em que o Fisco recebe cerca de um quarto de todas as declarações do ano de uma só vez, blindando os canais contra quedas de sinal.
A expansão estendeu-se também às redes de conectividade física. No centro de dados localizado no estado de São Paulo, os circuitos de internet conectados às prestadoras de telecomunicações saltaram de 10 para 25 gigabits por segundo, gerando uma elevação de 150% na capacidade de tráfego de rede. Na infraestrutura da capital federal, Brasília, circuitos já atuavam nessa banda ampliada preventivamente, com o suporte de redundâncias para garantir que qualquer eventual oscilação técnica passasse despercebida pela população.
Em termos de operação humana, as ações de suporte contaram com a coordenação direta de 17 frentes de desenvolvimento lógico do Serpro, com suporte de equipes focadas na amarração de redes e ferramentas de software. Uma equipe composta por cerca de duzentas pessoas instalou-se na Sala de Acompanhamento para rastrear dados de vazão, performance e estabilidade de sistemas em tempo real. Essa vigilância ostensiva permitiu bloquear preventivamente potenciais anomalias digitais antes que elas chegassem a impactar o cidadão na hora do envio.
