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Comissão conclui que morte de JK em acidente foi plano de assassinato orquestrado pela Ditadura Militar

Por Guilherme Kalel e Nathalia Shermann

30/05/2026

Em uma decisão histórica que altera oficialmente os registros sobre o passado político do Brasil, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976. A votação do relatório que revisou o caso foi finalizada e aprovada por seis votos a favor e uma abstenção.

Com essa deliberação, a nova conclusão passa a substituir a antiga versão oficial de que o político mineiro teria morrido em decorrência de um acidente de carro na Rodovia Presidente Dutra. Durante uma coletiva de imprensa realizada na sede do Ministério Público Federal, em São Paulo, os membros da comissão informaram que o registro de óbito de JK será alterado para incluir que a causa oficial da morte foi de responsabilidade do Estado.

O relatório definitivo conta com mais de mil páginas e detalha que Juscelino Kubitschek foi alvo de intensa perseguição e cassação de seus direitos pelo regime militar. O documento destaca que, para os governantes e órgãos de comunicação ligados à época, o ex-presidente era visto como um adversário perigoso. Como detinha grande apelo popular e despontava como o favorito absoluto para vencer as eleições presidenciais planejadas para 1965, os militares consideravam necessário removê-lo do cenário político para manter o projeto golpista em curso.
A investigação minuciosa apontou para a existência de 37 fraudes nos procedimentos originais conduzidos na década de 1970. De acordo com o novo parecer, o cenário do desastre automobilístico e os laudos médicos foram alterados para ocultar o crime por meio de uma perícia fraudulenta.

Entre as principais constatações do relatório, os investigadores indicaram que a morte foi o ápice de uma série de tentativas de eliminação física e ameaças camufladas de acidentes. O documento cita, por exemplo, o impedimento de pouso de aviões em pane e planos de eliminação de opositores, como as operações Condor e Código 12, além de um episódio anterior de tentativa de atropelamento no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro. Segundo a comissão, o assassinato chegou a ser anunciado de forma velada por autoridades meses antes e a notícia de que JK havia morrido na via Dutra circulou de forma suspeita duas semanas antes de o evento realmente acontecer, em 22 de agosto de 1976.

Apesar do avanço nas apurações e do reconhecimento histórico do assassinato, a família de Juscelino Kubitschek manifestou recentemente que não tem interesse em dar continuidade às investigações judiciais. No entanto, em manifestações anteriores, familiares ressaltaram que a revisão do caso representa um passo fundamental para o resgate da verdade histórica do país.