Por Amanda Heimann
22/05/2026
A liquidação da fintech Will Bank, controlada pelo conglomerado do Banco Master, abriu uma intensa disputa bilionária no mercado de meios de pagamentos do Brasil. No centro do impasse estão grandes bandeiras de cartão, com destaque para a Mastercard, e as empresas de maquininhas, tecnicamente chamadas de credenciadoras ou adquirentes. A discussão gira em torno de quem deve assumir o prejuízo deixado pelas transações financeiras que ficaram sem liquidação após o colapso da instituição.
Segundo fontes do setor, o volume total de recursos pendentes dos clientes da fintech soma aproximadamente R$ 5 bilhões. Diante do encerramento das atividades do emissor dos cartões, os lojistas e as empresas de maquininhas passaram a cobrar que a bandeira honrasse os pagamentos das compras realizadas na rede.
Por atuar como a bandeira que conectava os cartões do Will Bank ao sistema de pagamentos, a Mastercard acabou sendo diretamente envolvida no processo. Fontes apontam que a companhia já arcou com cerca de metade desse montante total, cobrindo especialmente as operações que venceram nos primeiros 30 dias após o decreto de liquidação.
Em nota oficial sobre o episódio, a Mastercard informou que realizou os pagamentos exigidos pela regulamentação vigente, utilizando em grande parte seus próprios recursos. A empresa destacou ainda que busca o ressarcimento dos valores junto ao liquidante nomeado pelo Banco Central do Brasil para administrar a massa falida da instituição.
A estratégia da Mastercard e de outras bandeiras afetadas, como a American Express, envolve negociações para tentar dividir parte desse prejuízo bilionário com as empresas de maquininhas, sob o argumento de que o risco do ecossistema deve ser compartilhado. No entanto, as credenciadoras resistem fortemente à proposta.
As operadoras de maquininhas argumentam que não possuem autonomia para escolher quais emissores vão aceitar dentro do arranjo de uma bandeira, ficando obrigadas a processar qualquer cartão Mastercard ou American Express válido. Portanto, na visão dessas empresas, a responsabilidade de garantir o repasse financeiro até o lojista em caso de quebra do banco emissor é integralmente da bandeira, que é quem valida e contrata as parcerias de emissão.
A crise ganhou novos contornos regulatórios devido a uma recente determinação do Banco Central sobre riscos em arranjos de pagamento. Executivos das bandeiras afirmam nos bastidores que as novas regras ainda não deveriam ser aplicadas integralmente ao caso, pois o prazo para a adaptação definitiva do mercado vai até o mês de maio.
Para tentar conter o tamanho do rombo, a Mastercard também avalia acionar garantias e ativos que pertenciam à fintech, incluindo participações acionárias em outras companhias do mercado nacional. Antes do fechamento definitivo, a bandeira já vinha aplicando restrições graduais ao volume de transações do Will Bank devido à percepção de falta de garantias financeiras sólidas, culminando no bloqueio total de acesso aos seus sistemas antes da decretação da liquidação pelo órgão regulador.
O colapso do Banco Master e de suas controladas gerou forte repercussão e acendeu um sinal de alerta entre as entidades que representam o setor, como a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços. O mercado agora acompanha os desdobramentos para entender como a divisão desse prejuízo impactará as regras de governança e a estabilidade do sistema de pagamentos do país.
