Por Lívia Lacerda
19/05/2026
O cenário político de Minas Gerais voltou a ser o centro das atenções nacionais com os desdobramentos para a disputa eleitoral. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, assumiu um papel estratégico na tentativa de moldar o futuro político do estado, buscando influenciar diretamente a decisão do senador Rodrigo Pacheco em relação às eleições para o governo mineiro.
A investida atual faz parte de um esforço conjunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alckmin programou um encontro decisivo entre Pacheco e o presidente da República com o objetivo claro de demover o senador de sua intenção declarada de deixar a vida pública. O governo federal enxerga em Pacheco o nome ideal para unificar a base governista e liderar o palanque aliado em um dos maiores colégios eleitorais do país.
Essa não é a primeira vez que Geraldo Alckmin interfere nos rumos políticos de Rodrigo Pacheco, mas as circunstâncias de agora são o oposto do que ocorreu no passado. Em agosto de 2018, Alckmin, que na época disputava a Presidência da República pelo PSDB, viajou a Belo Horizonte com uma missão bem diferente: convencer Pacheco, então deputado federal e candidato ao governo de Minas pelo DEM, a desistir daquela disputa majoritária estadual.
Naquela ocasião, o objetivo de Alckmin era desimpedir o caminho para a candidatura do ex-governador Antonio Anastasia, garantindo um palanque forte e unificado para o PSDB em solo mineiro. Embora tivesse oficializado sua candidatura ao governo estadual em convenção poucos dias antes, Pacheco acabou cedendo à articulação de Alckmin e mudou seu rumo para disputar uma vaga no Senado Federal, saindo vitorioso naquele pleito.
Atualmente, o desafio de Alckmin e Lula é inverso, pois a meta é convencer Pacheco a aceitar o desafio de concorrer ao Executivo de Minas Gerais. O senador tem sinalizado resistência e manifestado a interlocutores que não pretende entrar na disputa. Entre as queixas de bastidores que pesam na postura de Pacheco está a insatisfação com os movimentos partidários locais.
Aliados relatam que o parlamentar demonstrou desconforto com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O descontentamento decorre do fato de o comando do PSD em Minas Gerais ter migrado para as mãos do atual governador mineiro Mateus Simões, que se posiciona como um forte adversário da base de Lula no estado. Para interlocutores, Pacheco manifestou um sentimento de desarticulação política interna que dificulta sua entrada no pleito.
A reunião promovida pela cúpula do governo federal é tratada como um divisor de águas para as pretensões do PT e de seus partidos aliados em Minas Gerais. Caso Alckmin consiga repetir o sucesso de sua articulação de 2018 e persuadir Pacheco a mudar de opinião, o desenho das forças políticas mineiras sofrerá uma profunda reformulação para a campanha eleitoral.
Lívia Lacerda é formada em Direito e Jornalista de política.
Em sua Coluna analisa o cenário atual e os bastidores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário., Fora de Posts
