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Com dificuldades financeiras, Alliança anuncia tomada de empréstimo de R$ 76 milhões para tentar equilibrar caixa

Por Mariana Dias e Amanda Heimann

19/05/2026

A Alliança Saúde, uma das empresas de medicina diagnóstica mais conhecidas do país e dona da marca CDB em São Paulo, contratou um empréstimo de emergência de até R$ 76 milhões. A medida drástica foi anunciada ao mercado após a companhia relatar que enfrenta um quadro de esvaziamento praticamente total do seu fluxo de caixa, em um momento de profunda reorganização financeira.

A captação do recurso emergencial ocorrerá por meio da emissão de debêntures pela Cura (Centro de Ultrassonografia e Radiologia), uma subsidiária da Alliança. A operação foi estruturada em até 3 séries. A primeira delas será de até R$ 36 milhões, enquanto as duas seguintes serão de até R$ 20 milhões cada. Todas as séries possuem um prazo de vencimento estabelecido em 18 meses.

Segundo a companhia, essa linha de crédito emergencial faz parte de um plano mais amplo de reestruturação financeira que já vinha sendo negociado com credores sob supervisão judicial.
O cenário atual contrasta fortemente com o passado recente da empresa. Há 5 anos, ainda sob o nome de Alliar, a companhia figurava como um dos ativos mais cobiçados e disputados do setor de saúde brasileiro, atraindo a atenção de grandes conglomerados e investidores.

Posteriormente, o empresário Nelson Tanure assumiu o comando da operação, mas acabou perdendo o controle da companhia. Em fevereiro, credores tomaram suas ações para cobrir uma dívida calculada em R$ 1,2 bilhão, que estava atrelada à aquisição da Ligga Telecom. Com isso, o controle majoritário da Alliança passou para as mãos da Tessai, um fundo gerido pela Geribá, gestora de recursos que é especializada em reestruturar empresas em situações de crise e que detém 59,84% do capital da companhia.

As promessas de forte expansão no passado recente também não se concretizaram. O então CEO, Sartim, projetava um incremento de R$ 500 milhões a mais em receita anual para o grupo. Contudo, dez meses após as projeções, o executivo renunciou ao cargo. Atualmente, a empresa segue sem um presidente-executivo nomeado e as metas de crescimento acelerado foram substituídas por um pedido de socorro emergencial focado em manter as portas abertas e garantir a continuidade das operações.

O reflexo da crise é evidente no mercado financeiro. As ações da empresa, que chegaram a ser negociadas perto de R$ 35 em meados de 2023, despencaram para o patamar de R$ 3,24. Esse valor representa uma desvalorização expressiva de 88% desde a sua estreia na bolsa de valores, sendo que mais de 52% dessa queda ocorreu apenas nos últimos 12 meses. Atualmente, o valor de mercado total da Alliança está estimado em cerca de R$ 970 milhões, uma cifra que equivale a menos de um sexto do valor que foi pago por ação durante o processo de aquisição de seu controle.