Por Karoline Pacheco
18/05/2026
A poucas semanas do início da Copa do Mundo FIFA 2026, o setor hoteleiro nas cidades-sede dos Estados Unidos enfrenta um cenário preocupante e inesperado. De acordo com um relatório publicado pela Associação de Hotéis e Hospedagem dos Estados Unidos, a AHLA, a procura por acomodações está consideravelmente abaixo do que havia sido projetado pela organização do evento turístico e esportivo.
A pesquisa realizada pela entidade revela que 80% dos hotéis consultados relataram uma demanda por quartos muito menor do que a esperada. Embora a FIFA registre a venda de mais de 5 milhões de ingressos, esse volume expressivo ainda não se refletiu em reservas firmes de hospedagem. Um dos principais desequilíbrios apontados é que o número de viajantes domésticos tem superado o de turistas internacionais, o que limita o impacto econômico global que se estimava para o período do torneio.
Entre as causas apontadas por 65% a 70% dos hoteleiros para a lentidão nas reservas destacam-se os preços elevados dos ingressos, que chegam a ultrapassar a marca de 2 mil dólares, além de barreiras burocráticas na concessão de vistos de entrada no país, o clima político atual e outras tensões geopolíticas.
Cidades texanas como Dallas e Houston ilustram o momento de cautela. No levantamento, 70% dos estabelecimentos pesquisados nessas regiões reportaram que o ritmo de reservas para os meses de junho e julho recuou para níveis normais da temporada, registrando apenas uma leve melhora em função da Copa, algo muito distante das metas originais da federação internacional de futebol.
Outro golpe severo para o planejamento financeiro e operacional dos hotéis foi o cancelamento em massa dos blocos de quartos que haviam sido reservados antecipadamente pela própria FIFA. Em cidades de grande relevância como Boston, Dallas, Los Angeles, Filadélfia e Seattle, a federação abriu mão de mais da metade das vagas contratadas. Em certas localidades, as desistências superaram 70% do inventário reservado.
Como essas reservas em bloco foram garantidas com muita antecedência, elas serviram de base para as projeções de faturamento, contratação de equipes e reformas estruturais. Agora, os empresários do setor correm contra o tempo para tentar ocupar os quartos vagos e reestruturar suas ações de vendas.
Procurada para comentar as críticas sobre os valores dos ingressos e os baixos índices de ocupação hoteleira nos Estados Unidos, a FIFA informou que as liberações de quartos ocorreram dentro dos prazos estipulados em contrato com os hotéis parceiros, classificando o procedimento como uma prática de rotina em eventos desse porte. A entidade ressaltou ainda que muitas dessas devoluções de vagas foram feitas de forma antecipada para facilitar o gerenciamento por parte dos próprios hotéis e que manteve comunicação constante com os parceiros ao longo de todo o planejamento do torneio.
