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Possível candidatura de Joaquim Barbosa gera crise no DC

Por Tayla Vieira

Brasília – 17/05/2026

A articulação para lançar o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, como candidato à Presidência da República provocou uma forte divisão interna e uma crise política no partido Democracia Cristã (DC). O plano da liderança nacional gerou reações imediatas e ameaças de expulsão dentro da legenda.
A mudança de rumo ocorre após a pré-candidatura do ex-ministro Aldo Rebelo, apresentada pelo partido no início do ano, não apresentar crescimento nas pesquisas eleitorais. Diante desse cenário, o presidente nacional da sigla, o ex-deputado federal João Caldas, considerou necessária a substituição dos nomes para a corrida presidencial.

A decisão, no entanto, encontrou forte oposição em setores estratégicos do partido. O ex-deputado Cândido Vaccarezza, atual presidente do diretório do DC em São Paulo, posicionou-se publicamente contra a escolha e classificou Barbosa como inapoiável.
Vaccarezza criticou duramente o ex-ministro do STF, afirmando que ele iniciou a prática de lawfare no Brasil e que não possui experiência política ou compromisso com a democracia. A crítica faz referência direta à atuação de Joaquim Barbosa como relator do processo do Mensalão, que abalou a base do governo federal durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, o dirigente paulista alegou que houve quebra de confiança, argumentando que a filiação de Barbosa foi realizada de forma sigilosa, sem negociação com os membros que ajudaram a construir o partido.

Em contrapartida, a Executiva Nacional adotou uma postura de tolerância zero com a dissidência. O presidente João Caldas reagiu de forma contundente às declarações de oposição, afirmando que aplicará a expulsão sumária para qualquer integrante da legenda que se posicionar contra o novo projeto presidencial. Segundo Caldas, Barbosa filiou-se com o propósito claro de concorrer ao Palácio do Planalto e representa o nome ideal para mediar a atual crise institucional entre os Três Poderes da República.

Joaquim Barbosa ganhou notoriedade nacional durante seu período no STF, onde atuou entre 2003 e 2014, tendo antecipado sua aposentadoria antes do prazo compulsório. Esta não é a primeira vez que o seu nome é ventilado para o Executivo Federal; em 2018, ele chegou a ser fortemente cotado para a disputa, mas optou por declinar do convite na ocasião.
A nova movimentação do Democracia Cristã insere-se em um quadro de articulações em que outras forças políticas começam a se consolidar. O cenário para a disputa presidencial inclui a pré-candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as movimentações da direita com o senador Flávio Bolsonaro (PL), e as intenções de governadores como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).