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Liberdade de Opinião: A Máscara do Populismo E O Vale-Tudo Eleitoral do Governo Lula 3

Por Guilherme Kalel: Jornalista e Editor

17/05/2026

O cenário político brasileiro assiste, em 2026, a um espetáculo de conveniência que beira o escárnio. Após anos de uma gestão marcada por incertezas econômicas e aumento da carga tributária, o governo Lula 3 parece ter finalmente encontrado a solução para todos os problemas do país: a proximidade das urnas. O que vemos hoje não é planejamento de Estado, mas uma operação de guerra focada na manutenção do poder. De forma velada e descarada, medidas que antes eram tratadas como impossíveis ou tecnicamente inviáveis surgem agora como “presentes” de um governo que busca desesperadamente a reeleição.

A mais recente e ruidosa cartada é o fim da chamada taxa das blusinhas. É preciso ter memória curta para não lembrar que foi este mesmo governo que, há 2 anos, implementou e defendeu a taxação sobre importações de pequeno valor sob o argumento da proteção da indústria nacional. Agora, num passe de mágica e com o calendário eleitoral batendo à porta, o imposto deixa de existir. Onde está a responsabilidade fiscal ou o compromisso com o setor varejista nacional? Foram atropelados pela necessidade de recuperar a popularidade entre os jovens e as classes C e D, principais consumidores dessas plataformas.

O pacote de bondades se estende à isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000,00 e à intervenção direta na jornada de trabalho para o fim da escala 6×1. São pautas legítimas e anseios antigos da população, mas a forma como são despejadas no colo do eleitor a poucos meses do pleito revela o caráter meramente eleitoreiro. É a utilização do desespero e da necessidade do trabalhador como moeda de troca. O governo utiliza subterfúgios para transformar o que deveria ser política pública estruturada em um imenso balcão de negócios por votos.

No campo da segurança, o anúncio tardio de R$ 11 bilhões para o combate ao crime organizado soa como uma confissão de culpa pela omissão anterior. Durante quase todo o mandato, a segurança pública foi tratada com desdém ou transferida como responsabilidade exclusiva dos estados. Agora, diante da percepção de insegurança que corrói a imagem do Presidente, o dinheiro surge em abundância. Da mesma forma, a tentativa de zerar as filas do INSS a qualquer custo, com a troca estratégica da presidência da autarquia, parece ignorar as graves denúncias de descontos indevidos em benefícios. Em vez de uma limpeza ética, o governo opta por jogar a sujeira para baixo do tapete em troca de números positivos na televisão.

Enquanto isso, a realidade econômica fora das peças de propaganda é preocupante. A inflação volta a dar sinais de descontrole, corroendo o poder de compra que as próprias isenções fingem proteger. O país vive um equilíbrio fiscal frágil, sustentado por medidas que podem cobrar um preço altíssimo já no início de 2027. O aumento do gasto público sem contrapartida de produtividade é o combustível para crises futuras que, convenientemente, só estourarão após o fechamento das urnas.

O cidadão brasileiro precisa despertar para o poder de manipulação dessas ações. Aceitar medidas de alívio momentâneo em troca da entrega do futuro do país é um erro que já custou caro ao Brasil em outras eras de populismo desenfreado. É necessário analisar os candidatos pela solidez de suas propostas e pela coerência de sua trajetória, e não por benefícios concedidos no “apagar das luzes” do mandato. A democracia não pode ser comprada com isenção de taxas ou promessas de última hora. O voto é a nossa única defesa contra quem enxerga a população não como cidadãos a serem servidos, mas como números a serem manipulados para a perpetuação de um projeto de poder.

Guilherme Kalel é Jornalista e Escritor.
Editor Responsável da Agência Visionpress e do Jornal RS Connect.
MTB: 89344 / SP.
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