Por Guilherme Kalel e Alana Nunes
11/05/2026
Após se envolver em um grande escândalo na tentativa de compra do Banco Master — instituição hoje liquidada pelo Banco Central —, a situação do Banco Regional de Brasília (BRB) agrava-se dia após dia. O banco enfrenta um rombo bilionário, revelado após a descoberta da aquisição de ativos do Master e de carteiras de consignados falsas comercializadas pela instituição.
Ao todo, o BRB acumulou quase R$ 12,5 bilhões em prejuízos. Embora tenha conseguido trocar parte desse valor por ativos mais sólidos do Master, a instituição brasiliense, que possui maioria de capital público e poucos acionistas privados, ainda precisa cobrir um déficit de R$ 8 bilhões.
Na tentativa de manter uma aparência de solidez, o BRB não divulga seus balanços há 2 trimestres consecutivos. A falta de transparência piora o cenário e afasta investidores, que desconhecem a real saúde financeira da empresa. Enquanto isso, o Governo do Distrito Federal busca alternativas para sanar o prejuízo.
Uma das propostas seria a contratação de um empréstimo com o Tesouro Nacional como fiador. Nesse modelo, caso o BRB não honrasse o pagamento, o Governo Federal assumiria a dívida. No entanto, o Palácio do Planalto encara a alternativa com ceticismo, e o Tesouro posterga uma resposta definitiva enquanto as negociações avançam.
Com o tempo contra si, o BRB busca transmitir confiança ao mercado. Por essa razão, o governo estuda agora a venda de dívidas do banco para outras instituições financeiras e escritórios de cobrança, em valores estimados entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4,5 bilhões. O BRB alega possuir condições para quitar o empréstimo caso o Tesouro dê o aval, mas o Planalto segue reticente quanto à real capacidade de pagamento da instituição.
