Por Guilherme Kalel e Mariana Dias
08/05/2026
Um grupo de estudantes da Universidade de São Paulo ocupou o prédio da reitoria, localizado no campus do Butantã, na zona oeste da capital paulista, durante a tarde desta quinta-feira. A ação ocorreu no contexto de uma greve estudantil que já completa 3 semanas e tem como foco principal a cobrança por melhores condições de permanência na universidade.
A ocupação foi marcada por momentos de tensão. Manifestantes derrubaram um dos portões de acesso e acessaram o hall principal do edifício após vidraças serem quebradas. De acordo com o Diretório Central dos Estudantes, o movimento é uma resposta ao encerramento das negociações por parte da administração central da universidade, que ocorreu após 3 rodadas de reuniões sem um acordo definitivo sobre as pautas apresentadas.
Entre as principais reivindicações dos alunos estão o reajuste dos auxílios financeiros oferecidos pelo Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil. Atualmente, os valores variam entre R$ 330 para auxílio moradia e cerca de R$ 885,00 para o auxílio integral. Os estudantes defendem que esses valores sejam equiparados ao salário mínimo estadual. Além da questão financeira, o movimento denuncia condições precárias na moradia estudantil e falta de higiene nos restaurantes universitários.
A Polícia Militar foi acionada e acompanhou a manifestação do lado de fora e no saguão do prédio. Em nota, a USP lamentou o episódio, classificando a entrada no prédio como uma invasão que resultou em danos ao patrimônio público. A universidade reiterou que preza pelo diálogo, mas considerou as ações incompatíveis com o ambiente acadêmico.
Por outro lado, os estudantes afirmam que a ocupação tem o objetivo específico de forçar a reabertura da mesa de negociações. Em comunicado oficial, os líderes do movimento rechaçaram qualquer tentativa de criminalização do ato e declararam que a permanência no local será mantida até que as demandas sejam ouvidas pela gestão da instituição. O clima no campus permanece de monitoramento pelas autoridades e mobilização por parte das faculdades que aderiram à paralisação.
A Reitoria da USP cortou o fornecimentod e água e luz do prédio na manhã desta sexta-feira. Os estudantes continuam na ocupação.
