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Dívida das famílias atinge marca histórica de 80,9% no Brasil

Por Amanda Heimann

07/05/2026

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, revelou dados preocupantes sobre a saúde financeira dos brasileiros. Em abril, o percentual de famílias com dívidas a vencer atingiu a marca histórica de 80,9%, superando o recorde anterior registrado em agosto de 2022.

Esse crescimento representa uma alta de 0,5 ponto percentual em relação ao mês de março, interrompendo uma tendência de estabilidade que vinha sendo observada nos meses anteriores. O cenário atual reflete o peso do custo do crédito e a persistência do uso intensivo de instrumentos de financiamento para a manutenção do consumo básico.

Entre as principais modalidades de dívida, o cartão de crédito continua isolado no topo, sendo o principal compromisso financeiro de 86,9% dos endividados. Logo em seguida aparecem os carnês de lojas e o crédito pessoal, evidenciando que as famílias estão recorrendo a diversas fontes para fechar as contas no fim do mês.

O levantamento também aponta que a inadimplência, ou seja, o atraso efetivo no pagamento de contas, também registrou um leve incremento. Atualmente, cerca de 30% das famílias possuem dívidas em atraso, e o percentual daqueles que afirmam não ter condições de pagar o que devem subiu para 12%.

Especialistas da entidade explicam que, embora o mercado de trabalho apresente números positivos com a queda do desemprego, a massa salarial ainda luta para recompor o poder de compra diante dos juros elevados. Esse fator encarece as parcelas e dificulta a quitação total dos débitos, gerando um efeito de bola de neve em muitos orçamentos domésticos.
O impacto desse endividamento recorde é sentido diretamente no comércio. Com uma fatia maior da renda comprometida com juros e prestações, sobra menos espaço para o consumo de novos bens e serviços, o que pode reduzir o ritmo de crescimento econômico esperado para o segundo semestre do ano. A expectativa agora recai sobre as políticas de crédito e a trajetória da taxa básica de juros para aliviar a pressão sobre os bolsos brasileiros.