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Banco Central reduz taxa Selic para 14,5% em decisão unânime

30/04/2026

O Comitê de Política Monetária, o Copom, do Banco Central oficializou nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, uma nova redução na taxa básica de juros da economia brasileira. Em uma decisão que contou com o voto de todos os membros presentes, a Selic sofreu um corte de 0,25 ponto percentual, passando do patamar de 14,75% para 14,5% ao ano.

Este movimento marca a continuidade de um ciclo de ajustes na política monetária, ocorrendo de forma idêntica ao corte realizado na reunião anterior. A decisão confirmou as projeções majoritárias dos analistas do mercado financeiro, que já previam uma postura mais cautelosa da autoridade monetária diante do atual cenário econômico.

A condução da política de juros no Brasil ocorre em um momento de instabilidade no cenário internacional. O acirramento dos conflitos no Oriente Médio, intensificado nos últimos dois meses, tem gerado reflexos diretos nas expectativas dos investidores. Esse fator externo é apontado como um dos principais motivos para a moderação no ritmo de queda dos juros, uma vez que a guerra impacta os preços das commodities e eleva a aversão ao risco global.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve também tomou decisões nesta mesma quarta-feira, mantendo as taxas de juros americanas no intervalo entre 3,5% e 3,75%. Essa estabilidade na maior economia do mundo pressiona países emergentes como o Brasil a manterem juros atrativos para evitar a fuga de capitais e o desequilíbrio no câmbio.

De acordo com dados do Boletim Focus, embora exista um sentimento de que há espaço para novas quedas ao longo de 2026, as estimativas para o encerramento do ano sofreram uma leve deterioração. Atualmente, o mercado projeta que a Selic termine o ano de 2026 em torno de 12%, ainda em um patamar considerado contracionista para controlar a inflação.

Os indicadores de preços, como o IPCA, seguem no radar do Banco Central. O objetivo da autarquia é garantir que a inflação permaneça dentro da meta estabelecida, equilibrando o estímulo ao crescimento econômico com o controle do custo de vida.

A reunião deste mês teve uma particularidade na composição do colegiado. O diretor de Administração do Banco Central, Rodrigo Alves Teixeira, não participou das deliberações. Sua ausência foi justificada por motivos de luto pessoal, devido ao falecimento de um familiar próximo. Com isso, a decisão final foi tomada por um grupo de seis votantes, mantendo-se a unanimidade no parecer técnico pelo corte de 0,25 ponto.
O mercado agora aguarda a divulgação da ata do Copom, que será publicada na próxima terça-feira, para compreender em detalhes os argumentos que sustentaram a decisão e buscar sinalizações sobre os próximos passos do Banco Central nas reuniões programadas para o segundo semestre.