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Após 5 meses, Messias passa por sabatina no Senado hoje para vaga ao STF

Por Tayla Vieira

Brasília 29/04/2026

Nesta quarta-feira, o advogado-geral da União, Jorge Messias, passa por um momento decisivo em sua trajetória profissional. Após um período de 5 meses desde o anúncio de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal, ele será submetido à sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. A expectativa é que, após a análise do colegiado, a votação ocorra no plenário da Casa ainda no mesmo dia.

A indicação de Messias foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro do ano passado, visando preencher a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Para ser aprovado e efetivamente nomeado, o atual AGU precisa obter pelo menos 14 votos favoráveis na comissão e 41 votos no plenário.

Desde que seu nome foi oficializado, Messias iniciou uma intensa agenda de visitas aos gabinetes dos senadores para angariar apoio. No entanto, o processo não foi isento de tensões. O governo enfrentou resistências iniciais, especialmente por parte do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, devido a questões de rito e preferência por outros nomes. Essa situação fez com que a formalização da indicação fosse enviada apenas em abril deste ano.

Apesar dos obstáculos, o clima atual entre os aliados do governo é de otimismo. Integrantes da base governista projetam que Messias consiga entre 48 e 52 votos favoráveis. Por outro lado, a oposição se mobiliza e estima contar com cerca de 30 votos contrários à indicação.

Jorge Messias é visto por aliados como um nome de perfil técnico e conciliador. O senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, destacou que o indicado possui boa relação com diferentes alas políticas e está preparado para o cargo. Um dos pontos fortes destacados é sua interlocução com o segmento evangélico, sendo Messias integrante da Igreja Batista, o que pode ajudar a suavizar resistências de setores conservadores.

Durante a sabatina, a previsão é que Messias adote uma postura de equilíbrio entre os poderes Legislativo e Judiciário. O histórico recente mostra que sabatinas para o STF costumam ser longas, podendo ultrapassar 7 horas de duração, como ocorreu com os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino.

A votação de hoje é considerada um termômetro importante para a relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. Caso a indicação seja aprovada, o governo consolida sua influência na Suprema Corte. No entanto, uma eventual rejeição — algo que não ocorre com indicados ao STF desde o fim do século 19 — representaria uma derrota política significativa para a gestão federal.