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O Dilema do Iguaçu: Ratinho Junior busca sucessor para conter força de Sergio Moro

Por Kaio Reinsgger

Do Orconvision

31/03/2026

O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), enfrenta um cenário de alta pressão e incertezas para definir quem será o seu herdeiro político na disputa pelo Palácio Iguaçu em outubro de 2026. Com a recente desistência de sua própria candidatura à Presidência da República — optando por concluir o mandato no estado e apoiar Ronaldo Caiado no plano nacional —, o foco total do governador agora é manter a unidade de seu grupo e evitar que o senador Sergio Moro (PL) vença a eleição.

O grande desafio de Ratinho Junior tem nome e sobrenome. Pesquisas de intenção de voto realizadas no final de 2025 e início de 2026 mostram Sergio Moro com uma liderança sólida, chegando a ultrapassar os 40% de preferência em diversos cenários. Para o grupo governista, o avanço de Moro é visto com preocupação, pois o ex-juiz possui um recall eleitoral fortíssimo e transita bem no eleitorado que hoje apoia Ratinho.

Na tentativa de encontrar um “fato novo”, Ratinho Junior chegou a sondar o atual prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, no entanto, Pimentel declinou do convite, reafirmando seu compromisso de seguir na prefeitura da capital e negando qualquer intenção de renunciar para disputar o governo estadual neste momento.
Com a negativa de Pimentel, as atenções se voltaram para outros dois pilares do governo:
Beto Preto (Secretário de Saúde): Ex-prefeito de Apucarana, Beto Preto conta com o prestígio de ter gerido a saúde durante a pandemia e possui forte inserção no interior do estado. No entanto, enfrenta resistência de setores mais conservadores.

Alexandre Cury (Presidente da Assembleia Legislativa): Atualmente, Cury é o nome que mais ganha musculatura política. O deputado é conhecido por sua habilidade de articulação e conta com o apoio direto de uma legião de prefeitos paranaenses.
O favoritismo de Alexandre Cury dentro da base aliada ficou evidente com a realização de um manifesto de prefeitos em seu favor. Centenas de gestores municipais assinaram o documento pedindo que Ratinho Junior aceite Cury como o candidato oficial do grupo. O argumento é que o presidente da Alep é o único capaz de unir a classe política e as bases municipais para enfrentar a popularidade de Moro.

Ratinho Junior tem “ensaboado” as respostas sobre a definição final, como definem analistas políticos, buscando ganhar tempo para que os pré-candidatos se viabilizem nas pesquisas. O prazo final para desincompatibilização de secretários (como Beto Preto) e outros cargos ocorre nesta primeira semana de abril, o que deve forçar uma definição mais clara do Palácio Iguaçu nos próximos dias.

A missão é clara: encontrar um nome que herde os mais de 80% de aprovação de Ratinho Junior e impeça que o estado mude de mãos para o grupo de Sergio Moro.