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Mastercard tem rombo bilionário após liquidação de instituições ligadas ao Banco Master

Por Karoline Forrester

Do Orconvision

24/03/2026

O cenário financeiro brasileiro foi abalado recentemente por um dos maiores escândalos bancários das últimas décadas: a queda do Banco Master e de suas coligadas, como a fintech Will Bank.
Embora o nome da instituição financeira esteja no centro da crise, um dos impactos mais surpreendentes recaiu sobre a Mastercard, gigante global de cartões, que agora enfrenta um rombo bilionário em suas operações no Brasil.

A crise ganhou força no início de 2026, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de várias empresas do seu grupo. O motivo? O descumprimento de pagamentos e indícios de fraudes que alguns especialistas já classificam como um dos maiores crimes contra o sistema financeiro nacional.
No centro da confusão está o Will Bank, uma fintech que pertencia ao grupo. Quando o banco colapsou, ele deixou de pagar o que devia à Mastercard pelo uso de sua rede de pagamentos.

Em um sistema de cartões de crédito, a bandeira (neste caso, a Mastercard) funciona como uma “garante” do ecossistema. Quando um cliente usa o cartão em uma loja, o lojista precisa receber aquele dinheiro.
O Will Bank (emissor dos cartões) não honrou os repasses.
Para não deixar o comércio na mão e evitar um colapso na confiança do sistema, a Mastercard teve que arcar com pagamentos que somam bilhões de reais.
Estima-se que os detentores de cartões do Will Bank tivessem cerca de R$ 5 bilhões a pagar no momento do colapso.
Para tentar recuperar parte desse dinheiro, a Mastercard iniciou um processo de execução de garantias. Isso significa que ela tomou posse de ativos que o Banco Master havia oferecido como segurança em contratos anteriores.
Como resultado, a empresa de cartões tornou-se, ironicamente, acionista de empresas brasileiras, como o BRB (Banco de Brasília) e a plataforma de e-commerce Westwing. A ideia da Mastercard não é gerir essas empresas, mas sim vender essas ações o mais rápido possível para abater o prejuízo em seu balanço.

Se você é cliente de bancos tradicionais ou de outras fintechs, não há motivo para pânico imediato. O sistema bancário brasileiro é robusto e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já está atuando para ressarcir investidores do Banco Master dentro dos limites legais (até R$ 250 mil por CPF).
No entanto, o caso acende um alerta sobre a fiscalização de bancos médios e a rapidez com que o crescimento agressivo de algumas instituições pode esconder problemas profundos.

A Mastercard agora briga na justiça e com reguladores, alegando que novas regras de pagamento não deveriam ser aplicadas retroativamente ao seu caso, enquanto tenta estancar uma “sangria” financeira causada pela quebra do parceiro brasileiro.