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Liberdade de Opinião: Brasil acerta ao investir no tratamento do Diabetes, mas peca na distribuição de recursos a população

Por Guilherme Kalel: Jornalista e Editor

08/02/2026

O Brasil anunciou na última semana, distribuição dos primeiros lotes de insulinas tipo Glargina, para atender a diabéticos em 4 estados da Federação.
Esses estados farão testes, antes da medicação ser disponibilizada para o restante do país. São Paulo ficou de fora desses testes, apesar de ser o estado com maior população e consequentemente de diabéticos.
Mas a questão importante de se destacar, nem é tanto a quantidade de pessoas em teste, ou os estados que receberão essas insulinas. O fato é a forma que estão sendo levadas as pessoas.

Vamos entender.
Desde 2020 o mundo sofre uma escassez de material para produzir insulina do tipo humana, conhecidas como NPH e Regular.
No Brasil em 2024, a Novo Nordisk, maior fabricante do mundo e detentora de um contrato com a União para fornecer o produto, informou dificuldades na produção.
A empresa não conseguiria atender o SUS a partir de 2025, porque estaria paralisando a produção desse tipo de medicamento no Brasil.
O foco passava a ser nas canetas de emagrecimento, como a Ozempic, mais lucrativas para a empresa.
Uma ampliação estaria sendo feita na fábrica do laboratório, para voltar a produzir insulinas no Brasil, mas isso só em 2028.

Até lá o Brasil adotou duas medidas, para evitar que os diabéticos ficassem sem a medicação, Essencial para sua sobrevivencia.
Começaram a importar uma insulina chinesa, sem registro na Anvisa, em caráter emergencial, e trouxeram para o Brasil.
Foram compradas 74 milhões de canetas dessa insulina, para ser distribuída.
Diferente das canetas da Novo Nordisk, as novas canetas chinesas eram reutilizáveis e mais econômicas.
O paciente recebia uma caneta e depois, era só trocar os carpules conforme acabavam o medicamento.
As canetas porém, se mostraram frágeis e inacessíveis, em especial a idosos e pessoas com deficiência visual.
Não adiantava denunciar esses e outros fatos, porque a empresa responsável pela distribuição, promooveu uma verdadeira cassada contra qualquer pessoa que falasse sobre o produto.
O contrato prosseguiu, enquanto o governo brasileiro dava outra solução ao problema.

Numa parceria entre o laboratório Biomm e Fiocruz, o governo adquiriu tecnologias chinesa e indiana, para produzir a própria insulina.
Foram investidos mais de R$ 100 milhões do Ministério da Saúde, para deixar o Brasil autossuficiente na fabricação e distribuição da insulina.

Sem matéria para fazer insulinas humanas, do tipo NPH e Regular, o país passou a sintetizar a Glargina, que será distribuída em testes nesses 4 estados, citados no começo deste artigo.
As insulinas também são de caneta, também reutilizáveis, e também tem o problema da inacessibilidade da troca, para idosos e pessoas com deficiência visual.
Mas a distribuição desse novo medicamento, segue certos protocolos que chamam a atenção.
As insulinas Glargina só serão entregues para crianças dos 2 aos 17 anos, e idosos acima dos 80, em forma de caneta.
Pessoas que não estejam nessa faixa, continuarão recebendo insulinas NPH e Regular do tipo humana, em frascos.
E quando estes não tiverem disponíveis, a Glargina, mas em frasco.

A questão é que o governo não explicou, se vai produzir insulina Glargina, por qual razão não moderniza o tratamento e entrega canetas para todos?
Por qual motivo a Glargina substitui a insulina humana, sem saber se os diabéticos podem usar esse tipo de medicamento?

Destaca-se que claro, o uso da Glargina, uma insulina sintetizada é melhor que a humana, mais eficaz.
Mas não existe um parecer técnico, que indique por médicos, se todos os diabéticos dentro da faixa de distribuição, podem receber o medicamento.
Ou qual dose deveriam usar, já que a Glargina é diferente e mais forte e moderna, que a humana NPH e Regular, comumente usada.

O governo atropela princípios fundamentais ao tentar modernizar o tratamento para Diabetes no país e deixa diabéticos em alerta.
É preciso ainda muitas respostas antes que este ou qualquer outro tratamento seja iniciado.
E mais, é preciso explicações, que o Ministério da Saúde não quer dar. Para ter segurança as pessoas.

Não está de novo, dizendo que a Glargina é ruim, ou que não se deve a tomar.
Mas sim sendo cobrado, esclarecimentos sobre os novos tratamentos e de que forma afetam a vida das pessoas.
Ou por qual motivo uns terão acesso e outros não, se é um tratamento melhor e na busca da autossuficiência.

Guilherme Kalel é Jornalista e Escritor.
Editor Responsável da Agência Visionpress e do Jornal RS Connect.
Apresentador do Podcast Libercast.
MTB: 89344 / SP.
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