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Liberdade de Opinião: Tecnologia e inacessibilidade, os desafios para deficientes visuais em 2026

Por Guilherme Kalel: Jornalista e Editor

18/01/2026

Todo começo de ano as pessoas fazem planos para esperar algo da nova fase de vida que se inicia.
Empresas fazem um planejamento sobre as ações que devem adotar ao novo ano que chega.
E em muitos setores da sociedade, existem tendencias de esperar algo ou não, para o futuro breve.
Dias atrás eu li um artigo escrito por uma professora de Educação Inclusiva que me foi enviado pelo amigo Alex Garcia, do Rio Grande do Sul.
Alex é pessoa com hidrocefalia, doenças raras e tem deficiência visual e auditiva.
O conheci de forma virtual há alguns anos, e desde então, mantemos essa amizade mútua e sempre colaboramos um com o outro, em noticias, informações e artigos de interesse.

No artigo em questão, o assunto era o que esperar para o ano de 2026, no tocante a acessibilidade as pessoas com deficiência.
O artigo fazia uma série de ponderações, todas lógicas e reais, relacionadas ao tema proposto.
Com base nisso, decidi escrever hoje.

O 2026 deve com certeza ser mais um ano marcado pelo avanço da Inteligência Artificial.
Este recurso está cada dia mais presente na vida das pessoas, mas não se enganem, nem sempre recursos tecnológicos querem dizer acessibilidade.
Muitas dessas inteligências artificiais não são precisas, fazem descrições que deixam a desejar, quando as fazem.
Os recursos são usados com falhas e as empresas preferem colocar uma IA para descrever, do que contratar alguém que faça isso.
Nesse sentido, as pessoas com deficiência visual que dependem de descrições para entender o que está a seu redor, uma foto, uma cena, afins, perdem.
Inteligência Artificial não é um ser humano, e por isso, nunca faria o trabalho de um com a mesma precisão.
É preciso parar de querer que a tecnologia faça tudo, e que nos atentemos que algumas coisas cabe a nós executar.

Outro ponto que está cada dia pior, e que em 2026 deve piorar, se refere a acessibilidade de Sites, Aplicativos ou mesmo sistemas operacionais.
A tecnologia tem colocado a condição de que ícones com desenhos são mais fáceis de se adequar e entender, quando a realidade é bem diferente.
Esses desenhos e suas imagens, não são lidos por leitores de telas, e excluem as pessoas com deficiência visual de diversas atividades do dia a dia.
Sem o leitor conseguir identificar ao deficiente visual o que está na tela, não se pode ler um jornal, uma revista, a noticia em um portal.
No ano passado se comemorou muito as novas normas de acessibilidade para Sites.
No entanto a forma como elas foram colocadas não bastam.
Não é apenas colocar no site um ou outro recurso, muitos desses usando a tal Inteligência Artificial que de novo, nem sempre é precisa e não da acessibilidade, para dizer que é acessível.
Copiando a frase de uma deficiente visual que ouvi certos dias atrás, é preciso ser acessável, e não se dizer ser acessível.

Concluo com esses pequenos exemplos que 2026 pode ser um ano de mudanças para pessoas com deficiência visual.
Mas essas mudanças não tendem a ser para o bem.
Serão anos de conquistas jogados fora,se nada for feito ou mudado.
É preciso reconhecer que a tecnologia é essencial para cada um, mas usada da forma correta e acessível, ou como disse antes, acessável.
Se não, não serve de nada e todos continuaremos sendo excluídos da sociedade. Não porque queremos, mas sim porque inclusão é bonita no papel, dizer que faz. Daí a fazer, é outra história.

Guilherme Kalel é Jornalista e Escritor.
Editor Responsável do Visionpress e do Jornal RS Connect.
MTB: 89344 / SP.