Por Amanda Heimann
18/01/2026
Em abril de 2025 o Brasil se viu diante do maior escândalo de corrupção da historia recente do país.
Mais de R$ 6,3 bilhões em recursos descontados de forma indevida de aposentadorias e pensões do INSS.
Esses descontos indevidos ocorreram por conta de descontos de mensalidades associativas, feitos nos últimos anos sem que os beneficiários soubessem.
A Polícia Federal deflagrou a operação Sem Desconto a época, para apurar esses desvios e quem estava por trás.
Foram presos e investigados, integrantes do INSS, operadores no esquema que atuavam em nome das entidades, e até empresários que gerenciavam propina a agentes públicos em troca de facilitação dos descontos.
No Congresso Nacional se abriu uma CPMI para encontrar culpados políticos pela fraude e sua permanência.
Isso porque, esses descontos vem ocorrendo pelo menos desde 2016, e se intensificaram a partir de 2023.
Para coibir descontos indevidos de aposentados e pensionistas o INSS decidiu bloquear todo e qualquer desconto.
Uma lei foi sancionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após ser aprovada em dezembro de 2025 pelo Congresso, para inibir esses descontos.
Entidades associativas não podem mais fazer descontos e quem quiser contribuir com as mesmas, deverá pagar boleto.
Os empréstimos consignados entraram na linha da investigação. O INSS passou a mapear as operações e descobriu milhões de contratos irregulares.
Desde setembro do ano passado, 30 instituições financeiras tiveram suspensões de acordos técnicos com a Autarquia para operar o credito consignado.
Destas, 19 foram proibidas de operar definitivamente e outras 11, podem se adequar e tentar voltar a oferecer a consignação.
O problema nesse processo é que o INSS travou benefícios para realizar as operações. Quem quer fazer um empréstimo consignado agora, precisa solicitar o desbloqueio do beneficio pelo Aplicativo Meu INSS.
A solicitação só é feita mediante reconhecimento facial do titular do beneficio, e a anexação de seus documentos oficiais de identidade.
Deste modo, o INSS garante que quem está fazendo o empréstimo é realmente o beneficiário e evita novas fraudes no futuro.
Com um sistema falho, pessoas idosas que tem dificuldade em lhe dar com a tecnologia e pessoas com deficiência visual, encontram dificuldades extremas e muitas se quer conseguem, desbloquear os benefícios para consignações.
Além de ser muito difícil realizar os procedimentos, a situação piora já que o INSS não oferece alternativas.
Apenas com o reconhecimento facial é possível desbloquear as consignações.
A cada operação realizada ou a cada virada de folha da Autarquia, os benefícios são bloqueados e as pessoas precisam realizar de novo a operação.
Se uma vez é quase impossível, desbloquear todos os meses se torna um martírio e é quase como se a Previdência Social não quisesse mais que as consignações acontecessem.
O recurso embora certo para coibir fraudes, peca ao atingir com sua inacessibilidade especialmente o público deficiente visual.
Dezenas de reclamações foram feitas nos últimos meses, contra o sistema da Previdência Social. Mas nem uma delas surtiu efeito.
O INSS não aprimorou, modificou ou se quer criou uma alternativa a esse reconhecimento para esse público de pessoas.
Com isso quem desses que precisam de uma consignação, seguem impedidos de a realizar.
O INSS foi procurado para se manifestar sobre o caso, mas não respondeu aos contatos do Blog, até a publicação desta postagem.
Deficientes visuais que denunciaram no Procon, e conversaram com o Visionprev, destacaram as dificuldades enfrentadas e questionam, porque o governo não cria uma ferramenta alternativa.
Uma das ideias apontadas como solução, seria por um atendimento em chamada de video, como é feito pelo Nubank.
A Fintech adota o recurso para deficientes visuais ao em vez de reconhecimentos faciais automatizados.
O reconhecimento facial se tornou regra, para qualquer tipo de pedido no INSS, o que agrava ainda mais a situação.
Até mesmo para as provas de vida, beneficiários encontram dificuldades em usar a ferramenta e muitos reclamam ter benefícios bloqueados por isso.
