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Governo dos Estados Unidos classifica PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

Por Guilherme Kalel: Jornalista e Editor

29/05/2026

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou uma medida que impacta diretamente a segurança e as relações diplomáticas do Brasil. As facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital, conhecido como PCC, e Comando Vermelho, o CV, serão oficialmente classificadas como organizações terroristas pelo governo americano.

A nova diretriz estabelece que os dois grupos passem a ser enquadrados em duas categorias legais rigorosas: Terroristas Globais Especialmente Designados e Organizações Terroristas Estrangeiras. A previsão é de que a mudança entre em vigor no dia 5 de junho.

De acordo com o comunicado oficial emitido por Washington, o PCC e o Comando Vermelho figuram entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil. O governo americano destacou que ambas as facções lideram milhares de integrantes envolvidos em crimes violentos e ataques direcionados a policiais, autoridades públicas e cidadãos civis. Outro ponto crucial apontado pelo Departamento de Estado é o alcance transnacional dos grupos, cujas operações já ultrapassam as fronteiras brasileiras, atingindo outros países da América Latina e os próprios Estados Unidos.

A administração do presidente Donald Trump enfatizou que a iniciativa faz parte de uma política contínua de endurecimento contra cartéis e organizações criminosas de caráter internacional. O objetivo declarado é interromper os fluxos de financiamento dessas redes e impedir a entrada de entorpecentes no território norte-americano.

A decisão foi divulgada um dia após uma agenda oficial do senador brasileiro Flávio Bolsonaro em Washington, onde se reuniu com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. O parlamentar relatou que Rubio expressou apoio direto à aplicação do status de grupo terrorista para as facções brasileiras.
Por outro lado, a diplomacia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva vinha agindo nos bastidores para tentar conter a medida. A principal preocupação do Palácio do Planalto reside nas consequências práticas dessa rotulação. Integrantes do governo federal brasileiro temem que a classificação jurídica adotada pelos Estados Unidos sirva de pretexto para intervenções mais severas em solo nacional, incluindo a ampliação de sanções econômicas, maior interferência em operações de inteligência ou até mesmo ações de teor militar, seguindo precedentes da política externa americana de combate ao terrorismo global.

O debate sobre o tema não é recente. Em maio de 2025, autoridades de sanções dos Estados Unidos já haviam solicitado formalmente que o Brasil adotasse uma classificação semelhante para os grupos. A demanda foi negada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Brasil. Na época, o secretário Mario Sarrubbo esclareceu que as facções não se enquadram na Lei Antiterrorismo brasileira, sancionada em 2016. A legislação nacional restringe o terrorismo a atos motivados por preconceito de raça, etnia, religião, xenofobia ou discriminação, com o fim de espalhar terror social. Como o PCC e o CV buscam primordialmente o lucro financeiro por meio do narcotráfico e da lavagem de dinheiro, sem motivações ideológicas ou políticas de derrubada do Estado, eles continuam sendo tratados no Brasil estritamente sob o escopo de organizações criminosas.

Contudo, para o sistema de justiça e segurança dos Estados Unidos, a presença física de operacionais desses grupos em solo americano muda o panorama. Investigações e relatórios recentes, como os divulgados pelo periódico The Wall Street Journal, apontam que indivíduos vinculados ao PCC já foram detectados operando em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee. Além disso, promotores federais no estado de Massachusetts indiciaram dezoito cidadãos brasileiros suspeitos de ligações com a facção.

O peso internacional das organizações também pesou para a decisão americana. Estimativas apontam o PCC como a maior facção criminosa das Américas, contando com mais de 40 mil integrantes e ramificações que se estendem por aproximadamente 30 países.