Política e Economia

Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado depois de envolvimento no caso Master

25/06/2026

O senador Jaques Wagner anunciou oficialmente sua saída do cargo de líder do governo no Senado Federal. A decisão foi comunicada após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada e divulgada por meio de nota nas redes sociais do parlamentar, que classificou o afastamento como um movimento tomado em comum acordo.

A entrega do cargo ocorre em um momento de forte desgaste político, 6 dias após o senador se tornar alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo o antigo Banco Master. Wagner é acusado de receber vantagens indevidas, especificamente um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões em Salvador, que teria sido adquirido por um empresário ex-sócio da instituição financeira.

Apesar de a nota oficial sugerir um consenso amigável, bastidores indicam que a saída ocorreu sob intensa pressão do Partido dos Trabalhadores e do próprio Palácio do Planalto. Interlocutores apontam que a permanência de Wagner no posto gerava preocupações quanto ao impacto na imagem do governo e nos preparativos para a campanha de reeleição presidencial. Além disso, o senador já acumulava desgastes prévios na articulação política devido a derrotas pontuais em votações expressivas e posicionamentos polêmicos na condução de pautas do Executivo.

Em sua defesa, Jaques Wagner nega categoricamente qualquer irregularidade. O parlamentar declarou estar absolutamente tranquilo em relação às investigações e sustentou que jamais atuou no Congresso Nacional para beneficiar interesses privados ou do Banco Master. Sobre o imóvel mencionado na apuração, a justificativa apresentada é de que ele havia solicitado ao empresário a compra do bem, ainda em construção, com o compromisso de recomprá-lo posteriormente para a moradia de sua filha.
O senador afirmou que o afastamento temporário da liderança permitirá focar integralmente em sua defesa jurídica, além de evitar que o episódio seja utilizado pela oposição para tumultuar o ambiente político. O Palácio do Planalto estuda nomes para a sucessão da liderança no Senado, figurando entre os cotados os senadores Camilo Santana e Teresa Leitão.