Por Sofia Garcia
23/06/2026
A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem para investigar supostas fraudes financeiras no Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. A pedido dos investigadores, a Justiça Federal de São Paulo autorizou o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens dos envolvidos, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal.
A investigação teve início após uma denúncia enviada pelo Banco Central. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que a instituição utilizava fundos de investimento para aplicar uma maquiagem contábil e ocultar um rombo bilionário. Os investigadores apontam que o banco realizava uma superavaliação sistemática de ativos geridos pela corretora ID com o objetivo de inflar artificialmente o patrimônio do Digimais, permitindo a emissão desproporcional de títulos de captação.
Agentes federais cumpriram 9 mandados de busca e apreensão contra dirigentes do banco e executivos parceiros. Entre os alvos das buscas estão o bispo João Urbaneja, considerado homem de confiança de Edir Macedo, seu filho Thiago Urbaneja, os executivos Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos e Rodrigo Ruggero, além dos donos da gestora ID, José Roberto Giancoli Filho e Rodrigo Balassiano. O bispo Edir Macedo foi incluído na ordem de bloqueio de bens e quebra de sigilos, mas não foi alvo dos mandados de busca por residir fora do Brasil.
O relatório da Polícia Federal detalha que, após Edir Macedo assumir o controle da instituição, o banco focou suas operações em crédito consignado e financiamento de veículos. A estratégia gerou um curto período de crescimento, seguido por uma forte deterioração e prejuízos expressivos. Para tentar captar recursos entre 2023 e 2024, o Digimais passou a emitir Certificados de Depósito Bancário com taxas superiores a 110% do CDI. A situação financeira do banco agravou-se e evidenciou uma exposição de cerca de R$ 600 milhões em carteiras de crédito após a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master.
Os alvos da operação podem responder por crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas.
