Política e Economia

HERDEIRO DA RAY-BAN INTENSIFICA DISPUTA FAMILIAR PELO CONTROLE DE IMPÉRIO DE 40 BILHÕES DE EUROS

22/06/2026

Leonardo Maria Del Vecchio, um dos herdeiros do império de óculos Ray-Ban construído por seu falecido pai, elevou a tensão na disputa pelo controle da fortuna da família. Em uma carta aberta divulgada recentemente, o empresário de 31 anos cobrou publicamente que a holding familiar Delfin Sarl apoie seu plano de comprar as participações de dois de seus irmãos, uma transação avaliada em 10 bilhões de euros. O movimento acontece às vésperas de uma assembleia crucial de acionistas agendada para o fim de junho.

A proposta de Leonardo Maria consiste na aquisição de uma fatia combinada de 25% pertencente aos seus irmãos Luca e Paola. Caso o negócio seja concretizado, a participação dele na holding saltará para 37,5%, consolidando-o como o maior acionista individual do grupo. De acordo com o herdeiro, o objetivo da manobra é trazer estabilidade e encerrar os anos de incertezas e divisões internas que assolam a família desde a morte de seu pai, Leonardo Del Vecchio, fundador da Luxottica, em 2022.

Contudo, a operação enfrenta entraves internos e financeiros expressivos. Para financiar a compra, o empresário busca estruturar um dos maiores pacotes de crédito bancário voltados a um indivíduo na Europa, envolvendo instituições financeiras de peso como UniCredit, BNP Paribas e Crédit Agricole. Os bancos credores solicitaram garantias adicionais ligadas à distribuição futura de dividendos e à estratégia de longo prazo da holding. Em sua manifestação, Leonardo Maria acusou o conselho da Delfin de falta de transparência e de não adotar uma postura unificada para responder a essas demandas, transformando o que era um acerto financeiro em uma crise de governança corporativa.

Sediada em Luxemburgo, a Delfin Sarl possui um valor patrimonial líquido superior a 40 bilhões de euros. Além do controle sobre a gigante óptica EssilorLuxottica, detentora de marcas como a Ray-Ban, a holding é uma força altamente influente no mercado financeiro e corporativo europeu, possuindo participações significativas em grandes instituições italianas como a seguradora Assicurazioni Generali e os bancos UniCredit e Banca Monte dei Paschi di Siena.

A escalada da disputa joga os holofotes sobre a próxima reunião de acionistas. Segundo o próprio herdeiro, o encontro não se limitará a discussões rotineiras sobre balanços ou repasses de dividendos, mas definirá os rumos estratégicos e a própria estrutura de poder no comando de uma das maiores fortunas da Europa.