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Inflação oficial desacelera em maio mas índice segue beirando 5% para projeções de analistas até o fim do ano

Por Nathalia Shermann

13/06/2026

A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou uma desaceleração e fechou o mês de maio em 0,58%. O resultado ficou 0,09 ponto percentual abaixo da taxa de 0,67% observada no mês anterior, abril. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com esse resultado, o IPCA passou a acumular uma alta de 3,20% no ano. Quando analisado o acumulado dos últimos 12 meses, o índice atingiu a marca de 4,72%, um avanço em relação aos 4,39% registrados no período de 12 meses imediatamente anterior. O número atual coloca o indicador acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem como objetivo central os 3%, contando com um limite máximo de tolerância de 4,5%. No mesmo período do ano passado, em maio de 2025, a taxa havia sido bem menor, fixando-se em 0,26%.

O grupo de alimentação e bebidas foi o grande responsável por puxar o índice para cima, apresentando a maior variação do mês, com alta de 1,33%, e gerando o maior impacto isolado no resultado geral, correspondendo a 0,29 ponto percentual. Na prática, este setor respondeu por metade de toda a inflação apurada no mês de maio. No segmento de alimentação no domicílio, que avançou 1,65%, os principais vilões do orçamento familiar foram a batata-inglesa, com forte salto de 44,69%, o tomate, que subiu 20,62%, e a cebola, com alta de 16,8%. As carnes também registraram elevação, subindo 1,39%. Na contramão dos aumentos, o café moído recuou 2,38% e as frutas caíram 0,70%. Já a alimentação fora de casa desacelerou levemente, com os lanches passando de 0,71% para 0,49% e as refeições variando de 0,54% para 0,51%.

Outro setor que pressionou o bolso do consumidor foi o de habitação, que subiu 1,22%. O principal fator dentro deste grupo foi a energia elétrica residencial, com alta de 3,67%. Sozinha, a conta de luz gerou o impacto individual mais expressivo do mês no IPCA, somando 0,15 ponto percentual.

No grupo de saúde e cuidados pessoais, a alta foi de 0,90%, impulsionada principalmente pelos artigos de higiene pessoal, que subiram 1,95%, puxados pelo preço dos perfumes, que aumentou 4,42%. Os planos de saúde também registraram alta de 0,5%. Os demais grupos pesquisados ficaram situados entre as taxas de recuo nos transportes e a alta de 0,62% no setor de vestuário.

Por outro lado, o grupo de transportes funcionou como o principal alívio na inflação de maio, sendo a única categoria a registrar variação negativa, fechando em menos 0,46%. Essa desaceleração foi provocada pela queda no preço dos combustíveis: o etanol passou de uma alta de 0,62% em abril para uma queda de 6,20% em maio; o óleo diesel mudou de 4,46% para uma redução de 2,34%; e a gasolina caiu 1,46%, após ter subido 1,86% no mês anterior, garantindo o maior impacto negativo individual no índice geral. Em sentido oposto aos demais combustíveis, o gás veicular subiu 5,81% em maio. Ainda dentro de transportes, o preço das passagens aéreas voltou a subir, registrando alta de 3,2% em maio, após ter apresentado uma forte queda de 14,45% no mês de abril.