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Citroën prepara saída do Brasil

Por Amanda Heimann

22/05/2026

A Stellantis, um dos maiores conglomerados automotivos do mundo, estuda encerrar as operações da Citroën no Brasil. O movimento foi descoberto nesta manhã de sexta-feira, 22 de maio, faz parte de um novo direcionamento estratégico desenhado pela companhia e apresentado pelo seu CEO regional, Antonio Filosa. A possibilidade coloca em xeque o futuro da marca francesa no país, que vinha tentando se reposicionar com modelos de apelo mais acessível.

A mudança de rumo ficou evidente durante a divulgação das metas e da estratégia futura para a América Latina. Executivos da Stellantis apontaram que, embora a Peugeot e a Citroën tenham desempenhado papéis fundamentais para a expansão do grupo em mercados vizinhos como a Argentina e o Chile, os planos focados especificamente no mercado brasileiro parecem deixar a Citroën de fora. Ao projetar os próximos passos na região, foram citadas as marcas Fiat, Ram, Jeep, Peugeot e a novata Leapmotor, omitindo o nome da fabricante do duplo chevron.

O esvaziamento do espaço da Citroën se explica por uma reorganização interna de portfólio. A Fiat, que detém grande força comercial no mercado brasileiro, deve assumir o papel de oferecer veículos com propostas e plataformas muito semelhantes às que hoje sustentam os principais produtos da marca francesa. A fabricante italiana planeja lançar produtos sobre as mesmas bases mecânicas de modelos como o C3, o Basalt e o C3 Aircross. Na prática, as próximas gerações do Argo, do Fastback e um inédito utilitário esportivo de sete lugares da Fiat vão ocupar o mesmo segmento e proposta de mercado, eliminando a necessidade de manter a linha da Citroën ativa. Para complicar ainda mais o cenário, a Fiat retomou o desenvolvimento do projeto do sucessor do Mobi, o que anula qualquer chance de sobrevivência comercial do C3 a longo prazo.

Em contrapartida, os investimentos que seriam destinados à Citroën devem ser direcionados para a Leapmotor. A marca chinesa de veículos elétricos, que conta com forte parceria e suporte global da Stellantis, chega ao mercado nacional com foco em eletrificação acessível, portfólio moderno e prioridade máxima na estratégia do grupo. Enquanto a Citroën sofre com a falta de fôlego, a nova bandeira desembarca com aportes financeiros robustos e uma narrativa focada em crescimento rápido.

Os sinais desse recuo estratégico também se refletem na rede de distribuição. Informações de bastidores apontam que foi criado um plano de hibernação para os lojistas da rede de concessionárias. Esse modelo permite que os empresários suspendam os trabalhos com a marca por um período de até três anos sem perder o direito de concessão. Durante esse intervalo, o espaço físico pode ser utilizado para outros ramos de negócio ou bandeiras do grupo, dando tempo para que o concessionário avalie se vale a pena retomar as vendas da Citroën no futuro.
Por outro lado, a fábrica de Porto Real, no Rio de Janeiro, local onde os carros da Citroën são montados, não deve ser prejudicada pelo eventual encerramento da marca. A unidade industrial recebeu novos projetos que garantem a sua operação em alta capacidade. O principal deles é a produção do Jeep Avenger, modelo que marca a entrada da fabricante norte-americana na linha de montagem fluminense e assegura a manutenção dos empregos e o fornecimento de componentes na região.