Por Guilherme Kalel e Nathalia Shermann
21/05/2026
A Polícia Federal decidiu rejeitar a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão corporativa já foi formalmente comunicada aos defensores do banqueiro e também ao ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, que atua como relator do caso conhecido como Master.
Embora a corporação policial tenha declinado a oferta, a Procuradoria-Geral da República ainda mantém a prerrogativa de prosseguir de forma individual com a análise dos termos oferecidos.
Inicialmente, as tratativas para a colaboração ocorriam em um formato conjunto entre as duas instituições. Até o momento, o órgão do Ministério Público Federal não emitiu um parecer definitivo sobre o assunto.
De acordo com fontes ligadas aos responsáveis pela investigação, os elementos entregues pela equipe jurídica do banqueiro trouxeram pouca novidade prática em relação ao volume de provas que a Polícia Federal já havia consolidado de forma independente. Havia também entre os investigadores a percepção de que as declarações de Vorcaro buscavam blindar ou poupar indivíduos de seu círculo próximo.
As apurações apontam que o cenário é consideravelmente mais complexo do que crimes financeiros tradicionais. Com a apreensão de mais de 8 telefones celulares pertencentes a Daniel Vorcaro, as análises periciais preliminares de apenas uma parcela desses dispositivos apontaram indícios de práticas de corrupção, organização criminosa e até mesmo a utilização de uma milícia privada voltada para intimidar opositores e extrair informações confidenciais de bancos de dados restritos.
Paralelamente às negociações frustradas, a Polícia Federal solicitou e obteve a transferência de Daniel Vorcaro para uma cela de condições comuns na Superintendência da corporação em Brasília. Com isso, o banqueiro passa a seguir rigorosamente os protocolos internos diários e de visitas advocatícias padrão. Anteriormente, ele ocupava acomodações com prerrogativas equivalentes a uma sala de Estado-maior.
O banqueiro se encontrava detido no centro da capital federal desde março, após ter sido transferido de uma penitenciária federal. Foi logo na sequência dessa movimentação que a defesa manifestou o interesse formal de colaborar com a Justiça, entregando posteriormente os anexos detalhados em um dispositivo de memória.
A linha central que a defesa tentava costurar envolvia o compromisso de ressarcimento de cofres públicos e a indicação de atos ilícitos supostamente cometidos por detentores de cargos públicos. Contudo, desde a entrega dos relatórios preliminares, o material foi classificado como inconsistente pelas autoridades. A avaliação técnica concluiu que os relatos replicavam diálogos e episódios que já constavam nos autos da Operação Compliance Zero, que gerou a prisão do banqueiro, deixando de fora figuras centrais que ocupam posições de comando na organização sob investigação.
