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Americanas avança em plano de desinvestimento com venda de unidades do Natural da Terra

Por Amanda Heimann

14/05/2026

A Americanas, em meio ao seu complexo processo de recuperação judicial, deu mais um passo significativo na sua estratégia de reestruturação financeira. A rede varejista anunciou recentemente o fechamento de um acordo para a venda de 10 unidades da rede Natural da Terra. O comprador é a empresa que detém o controlo da rede Oba Hortifruti, num negócio avaliado em aproximadamente R$ 69,3 milhões.

Esta movimentação faz parte de um plano mais amplo da Americanas para levantar capital e simplificar a sua estrutura operacional. A venda foca-se em ativos específicos que, embora valiosos, não são considerados centrais para a nova fase da empresa, que tenta recuperar a confiança do mercado após a revelação de inconsistências contabilísticas bilionárias no início de 2023.

O valor total da operação atinge os R$ 69,3 milhões, abrangendo pontos de venda estratégicos. A aquisição permite à rede Oba expandir a sua presença em mercados onde o Natural da Terra já possuía uma base de clientes consolidada e infraestrutura montada.

Para o grupo controlador do Oba Hortifruti, a aquisição representa uma oportunidade de expansão acelerada. O setor de hortifruti premium tem demonstrado resiliência no mercado brasileiro, e a integração destas 10 lojas reforça a posição da marca como uma das principais referências no segmento de produtos frescos e saudáveis.

Analistas do setor observam que a venda por unidades, em vez da rede completa, pode indicar uma estratégia da Americanas para maximizar o valor de cada ativo individualmente. Inicialmente, a companhia tinha a intenção de vender a totalidade do Natural da Terra, mas o desmembramento parece ter sido a via mais eficaz para concluir negociações no curto prazo.

O desfecho da operação ainda está sujeito às condições habituais deste tipo de negócio, incluindo a aprovação por parte das autoridades de defesa económica e o cumprimento de metas estabelecidas no plano de recuperação judicial aprovado pelos credores.

Com este encaixe financeiro, a Americanas reforça o seu fluxo de caixa num momento crítico. A empresa continua a avaliar outras unidades de negócio e ativos não estratégicos que possam ser alienados nos próximos meses, mantendo o foco na redução do endividamento e na sustentabilidade da operação a longo prazo.