Lívia Analisa

A posse de Nunes Marques no TSE, o jantar de R$ 800,00 por pessoa e o convite a Bolsonaro: Nuances de um poder que impressiona e envergonha

Por Lívia Lacerda

12/05/2026

O cenário político de Brasília prepara-se para um dos seus eventos mais comentados do ano: a posse do ministro Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Contudo, o que deveria ser uma cerimónia estritamente institucional está a atrair atenções por motivos que extrapolam os ritos jurídicos. Entre a venda de convites de valor elevado e uma lista de convidados que inclui figuras centrais da polarização política brasileira, o evento tornou-se foco de debate sobre a liturgia do cargo e as relações de poder na capital.

De acordo com informações apuradas pela Coluna, a celebração que sucede a cerimónia oficial conta com uma logística de organização privada. Para participar no jantar em homenagem ao novo presidente da Corte Eleitoral, os interessados devem desembolsar o valor de R$ 800,00 por ingresso.

Este tipo de evento, frequentemente organizado por associações de classe, como a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), tem sido uma prática comum em Brasília, mas não isenta de críticas. O questionamento principal reside na linha ténue entre a celebração de uma conquista na carreira jurídica e a criação de um ambiente de acesso pago a figuras do topo do poder judiciário, o que levanta discussões sobre a transparência e a ética na magistratura.

Além do aspecto financeiro, a lista de convidados para a posse institucional é o ponto que mais tem gerado repercussão. Nunes Marques, seguindo a tradição de convidar todos os ex-presidentes da República para a cerimónia no tribunal, incluiu o nome de Jair Bolsonaro entre os citados.

O convite a Bolsonaro, contudo, carrega um simbolismo complexo. O ex-presidente foi declarado inelegível pelo próprio TSE, tribunal que agora será presidido por Nunes Marques, um dos magistrados indicados por ele ao Supremo Tribunal Federal. A presença ou ausência de Bolsonaro, bem como a de outros antigos chefes de Estado, é lida por analistas como um termómetro do clima de pacificação ou de tensão entre os poderes.

A chegada de Nunes Marques ao comando do TSE ocorre num momento em que a justiça eleitoral brasileira continua sob os holofotes, especialmente na preparação para os próximos ciclos de votação. O ministro terá o desafio de liderar a Corte garantindo a imparcialidade e a segurança das urnas, num ambiente onde qualquer gesto é interpretado sob a ótica da política partidária.

A festa de posse, com os seus bilhetes caros e convites polêmicos, acaba por servir de prólogo para uma gestão que será vigiada de perto tanto pela oposição quanto pelo governo atual. No xadrez brasiliense, onde o social e o político se misturam em jantares de luxo, a posse de Nunes Marques reafirma que, na capital federal, a liturgia do poder nunca é apenas uma questão de protocolo, mas também de imagem e conveniência.

Lívia Lacerda é formada em Direito e Jornalista de política.
Em sua Coluna analisa o cenário atual e os bastidores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário., Fora de Posts