Notícias

Governo norte-americano pede saída de delegado da PF de seu país e Brasil não descarta usar lei da reciprocidade

Por Tayla Vieira

22/04/2026

A notícia sobre a expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos em abril de 2026 marca um momento de forte tensão diplomática entre Brasília e Washington. O governo brasileiro reagiu com indignação e estuda aplicar o princípio da reciprocidade contra funcionários americanos.

Marcelo Ivo de Carvalho é um experiente delegado da Polícia Federal com mais de vinte anos de carreira. Antes de sua missão no exterior, ele ocupou postos estratégicos no Brasil, como a superintendência da Polícia Federal na Paraíba e a chefia da delegacia no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Desde agosto de 2023, ele atuava em Miami como oficial de ligação da PF junto ao Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos. Sua função era facilitar a cooperação policial e de inteligência entre os dois países.

A ordem de saída imediata foi emitida pelo governo dos Estados Unidos sob a acusação de que o delegado brasileiro teria tentado manipular o sistema de imigração americano. Segundo o Departamento de Estado, Marcelo Ivo teria agido para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território norte-americano.

O estopim para a crise foi o envolvimento direto de Carvalho na localização e prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem na Flórida. Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro por tentativa de golpe de Estado, é considerado foragido pela justiça brasileira. O governo americano alegou que o delegado da PF utilizou meios irregulares para forçar a custódia do ex-deputado em solo estrangeiro, o que foi interpretado como uma violação da soberania e dos procedimentos migratórios dos Estados Unidos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a medida como injustificada e afirmou que o Brasil não aceitará abusos contra seus funcionários. O Itamaraty e o Ministério da Justiça argumentam que o delegado agia dentro de acordos de cooperação internacional para capturar um condenado pela justiça.

Diante do impasse, o governo brasileiro cogita a expulsão de um representante diplomático ou policial dos Estados Unidos que atua no Brasil como forma de retaliação técnica. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que o trabalho de Carvalho era fundamentado em tratados bilaterais e que a acusação de manipulação do sistema americano carece de provas concretas. Para evitar que o posto em Miami ficasse vago, a Polícia Federal já oficializou a nomeação da delegada Tatiana Alves Torres para substituir Carvalho, embora o clima de desconfiança entre as agências de segurança dos dois países permaneça elevado.