20/04/2026
O setor cafeeiro do Brasil encerrou o último ciclo com dados contrastantes que acenderam um sinal de alerta para os produtores, ao mesmo tempo que garantiram um fôlego financeiro inesperado. Segundo levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país registrou uma queda de aproximadamente 20,8% no volume de sacas enviadas ao exterior em comparação ao ano anterior.
A retração no volume exportado é atribuída a uma combinação de fatores climáticos que afetaram a produtividade das lavouras e a gargalos logísticos que dificultaram o escoamento do grão nos portos brasileiros. Além disso, a vigência de tarifas impostas por mercados importantes, como os Estados Unidos, impactou diretamente o ritmo dos embarques, fazendo com que o país deixasse de enviar cerca de 10 milhões de sacas ao mercado global.
Curiosamente, a queda na quantidade não se traduziu em prejuízo financeiro imediato para a balança comercial. Devido à valorização do preço da saca no mercado internacional, que chegou a subir mais de 50%, o Brasil atingiu uma receita recorde, superando a marca de 15 bilhões de dólares. Esse fenômeno permitiu que, mesmo vendendo menos, o setor alcançasse o maior faturamento de sua história.
No ranking dos compradores, houve mudanças significativas. A Alemanha assumiu a liderança como o principal destino do café brasileiro, enquanto os Estados Unidos caíram para a segunda posição devido ao declínio observado durante o período de tarifação. Outros países, como Japão e China, apresentaram crescimento nas importações, sinalizando uma diversificação importante para os exportadores nacionais.
Para os próximos meses, a expectativa do setor é de uma retomada gradual dos volumes. Com a entrada da nova safra e a normalização de acordos comerciais, especialistas acreditam que a oferta de café arábica e conilon deve aumentar, permitindo que o Brasil recupere seu espaço no volume de vendas global sem perder a valorização conquistada nos preços.
